e-Lidiofin

27 May 2005

Mil visitas!

Filed under: Diversos

Uma hora atrás, o Lidiofin virtual atingiu mil visitas, em pouco mais de um mês de existência. O milésimo visitante apareceu por aqui às 10h19 e usava o provedor Velox. Se quiser se identificar, poste um comentário aqui.

Agradeço os comentários e críticas. Continuem lendo o Lidiodin.

26 May 2005

Floripa - Concluindo

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo VI

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Essa viagem a Floripa foi a primeira que fizemos nesse estilo - a pé, mochila nas costas.

Durou apenas três dias, devemos ter andado uns quarenta quilômetros, mais ou menos.

Algumas semanas depois, uma carta chegou à casa do Piloto. Tinha a foto de uma menina na praia segurando a garrafa com a mensagem que havíamos lançado no Pastinho.

See you, space cowboy.

25 May 2005

Floripa 6

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo V
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Seguimos o caminho indicado pelo Zé Carlos.

No começo, foi bem fácil: só ir pulando de pedra em pedra. Depois foram apa­recendo fen­das maiores, paredões meio íngremes e o avanço ficou meio lento.

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Andando pelo costão

Em duas oportunidades, paramos para saltar das pedras para o mar. Na pri­meira vez, tudo bem. Era uma pedra de um pouco mais de um metro de altura e sem nada embaixo. Um pulava e outro o rebocava de volta com ajuda de uma corda de uns quatro metros que havíamos levado.

A outra, um pouco mais a frente, já foi mais inconseqüente. A pedra tinha uns seis me­tros de altura. Não contente, havia outras pedras embaixo, no nível d’águ­a. Assim, quem pulas­se, teria que fazê-lo bem para a frente se quisesse cair na água e não se estabacar nas pedras.

O Mogli (nosso doido de plantão) e o Piloto ficaram uns dez minutos juntando coragem e pularam. Eu disse que não ia de jeito nenhum, me tremi de medo, mas também me lan­cei no espaço. Que idéia…

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Por motivos óbvios, não dava para voltar para as pedras por ali. Tivemos que nadar por uns cem metros e dar uma volta enorme para chegarmos ao local de origem. O Piloto e o Mogli salta­ram mais uma vez e seguimos em frente.

Logo depois, chegamos à pedra que o Zé Carlos havia indicado e retomamos a trilha. Co­mo é bom pisar num chão horizontal de novo!

A trilha começou numa subida íngreme de uns cem metros, que deu para dar uma can­sadinha.Logo após, entramos no meio das árvores e ficou mais fresco e menos cansativo. As prime­iras sombras desde as seis e meia da manhã. Começamos a des­cer e o leito da trilha foi fican­do arredondado, como num toboágua.

Chegamos finalmente a Naufragados, o extremo sul da ilha de Santa Catarina. A praia mais sem graça de toda a caminhada. No final dessa praia existe um farol. Fo­mos até lá. Imedia­tamente em frente ao farol, só que já para o lado do continente, ficam as ruínas de um forte.

A reportagem dizia que havia, próximo ao farol, uns canhões do sécu­lo XVIII. Andamos um pouco pelas redondezas e, como não os encontramos, resol­vemos ir embora.

A fome já estava apertando e havíamos decidido comer só quando terminásse­mos o trekking. Faltava só uma praia, a de Caieiras da Barra do Sul.

Entramos e saímos por umas trinta trilhas até descobrirmos (e eu lembrar de ler na re­portagem) que tínhamos que voltar por toda a praia de Naufragados e conti­nuar na trilha por trás dela.

Essa trilha foi a mais aberta que pegamos - tinha gente até de moto por lá - e durou quarenta minutos.

Chegamos a CaieirasGoogle Earth! Missão cumprida!

E tinha uma loirinha linda, olhos claros, cabelos compridos, perfeita, chamada Pati, a última ninfa da nossa viagem. Foi ela quem tirou a nossa foto de chegada.

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A foto que a Pati tirou

Fizemos o maior farofão; todo o peso morto da mochila ou foi comido ou jogado no lixo.

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Missão cumprida! No chão, ao lado do saco de dormir, o Lidiofin original.

That’s all, folks!

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Continua em: Floripa - Concluindo

24 May 2005

Floripa 5

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo IV

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Aí começou a complicar. A trilha se bifurcou uma porção de vezes.

Segundo a reportagem, devíamos passar por uma porteira, por um engenho abando­nado onde vivia um asiático eremita, depois por mais duas porteiras e em cinco minutinhos chegar ao Pastinho, que era para ser a nossa área de acampamento. No Pastinho havia uma casa, onde mora­va uma família de pescadores.

Let´s go!

Passamos por duas porteiras, mas nada de engenho, de chinês maluco ou do Pastinho. An­damos, andamos e - quem diria! - a trilha fechou.

Seguimos em frente assim mesmo. Fomos andando man­tendo uma direção mais ou menos paralela à costa, de acordo com a bússola e com o pouco que nos era possível obser­var.

Passamos por uns limoeiros e nos abastecemos, andamos, andamos, até que…

“Oh! Gente! Areia! Praia!”

Todo mundo começou a gritar. Na verdade, não tinha areia, nem gente, nem praia, mas era bom chegar a algum lugar. O povo estava ficando meio doido e já es­tava escurecen­do.

Só haviam uma ruína e duas vaquinhas. E era um dos lugares mais bonitos que eu já vi. Pela localização e descrição, chegamos a conclusão que ali era o PastinhoGoogle Earth. Da casa da família, que esperávamos encontrar ali, sobrou apenas uma ruína. Deve ser por isso que a trilha se fechou; além das vaquinhas, ninguém mais vivia ali no Pastinho.

Era uma ponta não plana, mas de relevo suave, mais ou menos circular, com uns ses­senta metros de diâmetro. O lugar era todo coberto por grama, com ren­ques de moitas es­palhados aqui e ali e todo cercado por pedras. Deve ser a parte da Ilha de Santa Catarina que mais se apro­xima do arquipélago das Três Irmãs.

Começamos a tomar as providências para o pernoite. Eu fui montar, com os tijolos da ruína, um abrigo para o fogareiro e um lugar para a fogueira. O Mogli foi encher as Big Cokes numa mina d’água, que outrora devia abastecer a casa. O Mas­sashi foi pegar lenha para a fogueira e o Piloto e o Flipper foram catar mariscos nas pedras.

Foto do Lidiofin, com o esquema do Pastinho

Chegaram lá também dois pescadores, o Zé Carlos e o seu pai, que passaram a noite conos­co.

Juntamos nossas comidas com as deles e comemos miojo, mariscos, lingüiça, fusilli à matriciana, bolachas e suco de limão natural. Os mariscos, des­sa vez, foram assa­dos na telha, à moda dos pescadores.

A fogueira ficou estúpida de grande; afinal tínhamos uma casa toda para quei­mar.

Achamos também montes e montes de hortelã e o Piloto pegou um pouco para os pra­tos elucubrados que ele faz.

Os pescadores nos ensinaram também como se faz o café “cabeludo”. Nada mais é do que fazer o café sem filtro, dissolvendo o pó direto na água, como se fosse Nescafé. O pulo do gato vem depois: te­mos que co­locar uma brasa da fogueira no café. Assim, o pó “assusta” e decanta todo para o fundo. Ele chama cabeludo porque os últimos goles vêm com todo o pó e dá uma tosse desgraçada. Ainda prefiro o bom e velho capuccino.

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Nós e o Zé Carlos

O Zé Carlos e o seu pai foram para as pedras onde iam dormir e nós nos ajei­tamos tam­bém.

Como não ameaçava chover, nem montamos abrigo. Estendemos a lona no chão e os sacos de dormir por cima. De leste para oeste estavam o Massashi, o Piloto, eu, o Mogli e o Flipper.

Ficamos olhando o céu, enquanto o sono não vinha. Surgiu uma estrela ca­dente enome, que cruzou o céu inteirinho. Até mesmo o cegueta do Mogli viu. Porém, já havía­mos feito todos os pedidos do mundo na noite anterior. Nessa noite falamos pouco e dormimos cedo.

O único problema do lugar é que tinha um brejinho ali do lado, cheio de mos­quitos. Depois que a fogueira apagou, aquilo lá virou uma festa do caqui maduro. Eu, que não passei repelente, nem tomei os comprimidos de Complexo B, acordei todo embolotado.

Acordei junto com o Mogli, por volta das seis horas e ficamos até umas seis e quarenta para ver o sol nascer atrás das Três Irmãs.

Sete horas, todos já haviam acordado. Todos, menos o Massashi. Diz a lenda que ele funci­ona a válvula e demora um pouco para esquentar.

Fizemos o nosso já tradicional capuccino mais forte do que o normal e os pes­cadores pediram o nosso fogareiro para fazer o seu café.

Nosso próximo ponto de referência era a praia de Naufragados. Perguntei ao Zé Carlos como eu chegava lá. Ele disse que, estando as trilhas fechadas, o melhor caminho era pelo costão. Ele me indicou uma pedra bem, bem, bem longe, de onde poderíamos abando­nar o costão e reto­mar a trilha.

Terminamos o café e arrumamos nossas coisas. Antes de partir, escrevemos uma men­sagem, enfiamos numa garrafa de 51 encontrada na ruína, fechamos com cera de vela e atira­mos ao mar. Dizia, em português e inglês, mais ou menos o se­guinte:

“Península do Pastinho, 16 de janeiro de 1994, 8h50am.

Estamos acampados aqui no Pastinho. Blá, blá, blá.

A quem encontrar essa mensagem, favor escrever para

…(endereço do Piloto)…

indicando o local e a data do descobrimento.

Assinado: os Quatro Cavaleiros do Apocalipse e o Flipper.”

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Continua em: Floripa - Capítulo VI

23 May 2005

Floripa 4

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo III

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Sete da manhã, alvorada do segundo dia do Programa de Índio.

Começamos o dia muito bem. Sete horas de sono, moral elevado e vontade de cumprir a missão. Brasil acima de tudo!

Para melhorar ainda mais, café da manhã com o capuccino que a Sandrígena havia nos da­do, Müsli e bolachas com geléia de morango.

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O café da manhã

Aproveitamos a nossa empolgação culinária e fizemos ricota com a outra cai­xa de leite, que também já estava azeda.

Levantamos acampamento por volta das nove horas. Demos uma passada na casa do Seu Valdir, o único morador do lugar, para pegar mais água.

Pegamos uma subida diferente da planejada para, segundo o Seu Valdir, pas­sar por uma cachoeira. Não achamos cachoeira nenhuma e também não consegui­mos escapar da subida do morro.

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Partindo da Lagoinha do Leste

Apesar de íngreme, a subida era curta e não cansou tanto.

A trilha que estávamos seguindo ia dar na praia do Pân­tano do SulGoogle Earth. É um ca­minho bem mais freqüentado que o do dia anterior. Acho que deve ser por que é o caminho mais fácil para a Lagoinha do Leste.

Depois de um pouco mais de uma hora de trilha, chegamos à enseada do Pân­tano do Sul. Deve ser o lugar mais civilizado do sul de Floripa.

Paramos num bar para descansar um pouco, depois passamos num mercadi­nho para com­prar uns miojos a mais e seguimos para a praia.

Pra variar, todos na praia ficaram olhando para nós. Tênis, meia, bo­né, óculos, mochilas, máquinas fotográficas, andando naquele sol inclemente.

No final da praia do Pântano do Sul atravessamos umas pedras e fomos dar na Praia da Solidão. Segundo a reportagem - de 1991 - havia umas vinte casas nessa praia. Agora, havia mais de cinqüenta.

Disseram-nos que nessa praia havia uma cachoeira; resolvemos parar lá para almoçar. A ca­choeira fica no final de uma trilha de uns trezentos metros, partindo da praia.

É uma quedinha d’água que nem dá para ser chamada de cachoeira. A vazão estava bem pequenininha, devido à falta de chuvas e à algumas seringueiras planta­das ali perto.

O legal era que a cachoeira formava um laguinho e alguém pen­durou uma cor­da sobre o dito-cujo. Dava para se pendurar nela e depois se jogar n’água. Água doce!

Almoçamos lá mesmo lá mesmo e, aproveitando um mo­mento que o lugar fi­cou deser­to, lavamos a roupa e tomamos banho. Como somos ecologicamente corretos, fizemos tudo só com água mesmo, o sabonete não era biodegradá­vel.

Esperamos as roupas secarem mais ou menos e continuamos a nossa emprei­tada. De­viam ser umas duas da tarde.

Dessa praia, tínhamos que pegar uma trilha até a outra, a do Saquinho.

Paramos numa casa para pedir informações. O cara que falou com a gente tinha a cara do Saddam Hussein, mas era super bonzinho (devia ser uma ninfa loira disfarçada nos testando). Ele saiu da ca­sa dele, nos levou até o início da trilha e ainda nos arranjou água potável.

A trilha para o Saquinho levou uns quarenta e cinco minutos. É bem aberta e fácil de ser seguida.

Saquinho é minúscula, deve ser a menor praia em que eu já estive. Pequena, porém inde­cente. O lugar é atulhado de enormes pedras, tanto na areia como na água, além de ter o mar mais revoltado de toda a ilha. Deus deve ter colocado lá to­do o material que sobrou de­pois da Criação.

Entramos na água, lagartamos ao sol por um tempo e seguimos viagem.

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Continua em: Floripa - Capítulo V

22 May 2005

Floripa 3

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo II

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Estávamos na ilha há mais de uma semana já, hospedados no Albergue da Juventude. O restante do pessoal que veio conosco tinha acabado de partir de volta para São Paulo. Nós iríamos dar uma volta a pé pelo sul da ilha de Santa Catarina, começando ali em Armação e terminando em Caieiras, em aproxima­damente três dias.

Acordamos bem cedo, não sei que horas. Arrumamos as nossas coisas, desce­mos para a pra­ia e tomamos café nas mesmas mesinhas do dia anterior. Tínhamos, ao todo, doze paco­tes de bola­chas, ou seja, quatro para cada dia. Dividimos dois para o café da manhã, um para o almoço e um para o jantar.

Abrimos uma das caixas de leite que o Massashi havia trazido e descobrimos que, ape­sar da caixinha Tetra Pak, o dito-cujo não era longa vida. Estava azedo.

Fizemos o meu leite em pó e, depois do café, fomos à casa de uma senhora pe­dir para ela fer­ver o leite azedo para nós e fazer uma coalhada. De coalhada, o negó­cio foi logo promovi­do a rico­ta, para soar melhor aos nossos ouvidos e estômagos.

Reabastecemos nossos cantis - cada um levava uma garrafa de Big Coke - e começa­mos a caminhada.

Passamos para a Praia do Matadeiro e topamos com a segunda ninfa loira da nossa viagem. Uma menina linda e diáfana, com um vestidinho branco esvoaçante, uma sílfide. Pergunta­mos para ela onde é que ficava a trilha para a Lagoi­nha do Leste, nossa pró­xima parada. Ela não tinha a mínima idéia. Mas valeu a pena só por falar com ela.

Fizemos a mesma pergunta para um velho que estava de cócoras, mascando fumo - “gengi­vando” seria a expressão correta, pois o velho não tinha dentes. Ele começou a falar e babar. Disse que se entrássemos na mata, nunca mais sairíamos de lá, que ele era o primeiro morador da região, que sabia de tudo e que nós íamos morrer. E deu uma cuspida de lado, como que para selar a mal­dição.

Depois dessa introdução, ele finalmente indicou o início da trilha. E lá fomos nós, devidamente amaldiçoados pelo velho banguela.

O xerox da reportagem que falava dessa caminhada estava comigo. Dizia que a tri­lha tem três bifurcações e, em todas elas, devíamos seguir à direita. Assim fizemos. A trilha é bem aberta, fácil de ser seguida.

Com pouco mais de uma hora e meia, fizemos nossa primeira parada para descansar. Chu­pamos algumas das milhares de laranjas que o pessoal nos deu lá no albergue, reajusta­mos as mo­chilas e descansamos por quinze minutos.

Pouco depois, demos num descampado cheio de caminhos de vaca. Era lá que o velho disse que íamos nos perder.

O lugar era cheio de pedras, espinheiros e bromélias. Na reportagem dizia que seriam pe­dras, espinheiros e orquídeas. O autor deve ter dito orquídeas para dar um ar mais exótico, mas eu não vi nenhuma por lá. Dali dava para ver umas pai­sagens lindas, inclusive uma caverna de uns vinte metros de altura, que dava para o mar.

Continuamos a andar até chegarmos no ponto mais alto dessa região. Já dava para ver a Praia da Lagoinha do LesteGoogle Earth, considerada a praia deserta mais bonita de toda a ilha.

Chegamos à praia às dez da manhã, depois de quase três horas de caminhada.

O lugar é um paraíso, o Flipper disse que só faltou a Brooke Shields com seu biquinizi­nho de pelúcia da Lagoa Azul. Lá havia uma lagoa mesmo, com água limpa, porém salgada, e peixinhos. Em alguma época do ano, o mar deve chegar até lá.

Nadamos um pouco, ficamos lagartando ao sol e depois fomos procurar um lugar para mon­tar acampamento. Havia mais pessoas acampando ao redor da la­goa.

Encontramos um lugar bom, entre a praia e a lagoa, plano, com algumas árvo­res e até um lugar com pedras, pronto para se fazer uma fogueira.


Acampamento na Lagoinha do Leste, do Lidiofin original

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E a foto do acampamento

Almoçamos pão com mortadela e ricota, bolachas e suco e dormimos a tarde toda.

Acordamos por volta das cinco da tarde e começamos a tomar as providências para a noite.

O Piloto, o Mogli e o Flipper foram ver onde é que se pegava água, enquanto o Mas­sashi e eu dávamos uma geral no acampamento.

Cavamos um buraco para proteger o fogareiro do vento, juntamos um pouco de lenha para a fogueira e joguei o nosso anzol na lagoa.

Demorou para eu descobrir do que é que os peixes gostavam. O que deu certo foi uma fruti­nha de um pé parecido com um tomateirozinho, todo espinhento. Deu certo em termos, pois conse­guir pegar apenas um lambarizinho de seis cen­tímetros.

O pessoal que saiu para pegar água se deu melhor. Além da água, trouxeram um mon­te de mariscos que cataram nas pedras.

O jantar consistiu de miojo e mariscos com pomodoro, limão e curry. Os mariscos eram limpos no canivete e cozidos até as conchas se abrirem. Quem nos ensinou foi um uruguaio que conhecemos no albergue.

Acabamos com os mariscos e as bolachas do jantar e saímos um pouco do bos­que para deitarmos na areia e olhar o céu.

Como acontece com todos que ficam um tempo parados, olhando para o céu, começa­mos a viajar, a falar do infinito, das estrelas, da relatividade… até ver as primeiras estrelas ca­dentes.

Dizem que não se pode contar os desejos que fazemos às estrelas cadentes, caso con­trário eles não acontecem.

Eu, em particular, não tinha nada de especial para pedir. O Piloto estava todo bonzi­nho, fazendo pedidos humanitários, enquanto o Massashi pedia uma es­cada rolante para su­birmos o morro que teríamos que enfrentar no dia seguinte. O Mogli e o Flipper, coitados, nem conseguiam ver as estrelinhas caindo.

Foi ficando tarde e resolvemos ir dormir. Montamos um abriguinho fuleiro com a lona plásti­ca e entramos os cinco debaixo dele. Não tínhamos barraca tam­bém. Ali do lado, a fogueira continuava a queimar.

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Continua em: Floripa - Capítulo IV

21 May 2005

Floripa 2

Capítulo anterior: Floripa - Capítulo I

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Tive que viajar nessa semana, por isso a história ficou parada durante esses dias.

Este é uma mapa do caminho que percorremos na ilha de Santa Catarina.


Quem desenhou esses mapa foi o Piloto, que estava conosco na viagem. As letras Z indicam os lugares onde dormimos.

Amanhã, continuo com a história.

Continua em: Floripa - Capítulo III

16 May 2005

Floripa 1

Quinta-feira, 13 de janeiro de 1993.

Vimo-nos sozinhos pela primeira vez. O que fazer? Estávamos na Praia Mole, os ou­tros já tinham ido embora, eram três da tarde e não tínhamos a mínima idéia de como chegar a Armação, onde começaria a nossa epopéia.

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Nós cinco, partindo da praia Mole. Foto tirada por alguém que ficou por lá.

A principal característica dessa parte da viagem é que não tínha­mos quase nada de di­nheiro; apenas o suficiente para a volta de ônibus para São Paulo e mais alguns trocados. Tudo o que fizéssemos, teria que ser de graça.

Mas estávamos com sorte: em cinco minutos, conseguimos uma carona. Para nós cinco jun­tos! Era a primeira ninfa da nossa jornada; uma loira, inglesa ainda por cima, que dirigia um Toyota Bandeirante vermelho, velho de dar dó.

Enquanto andávamos, ela contava, com seu sotaque de súdita da rainha, que estava em Flo­ripa havia três anos e vivia de organizar festas na praia.

Ela nos deixou às margens da Lagoa Conceição e seguimos o caminho que a ninfa in­dicou.

Começamos a procurar outra carona. Teve um cara de pau que disse que nos levava de Kombi até Armação por quinhentos cruze­iros cada um! Por qui­nhentos, a gente pegava um ônibus até o cen­tro, tomava um sorve­te, pegava outro ônibus até Armação e ainda sobrava dinheiro.

Continuamos a pé por uns quatro quilômetros, até que um caminhoneiro teve pena de nós. Mas disse que não podia levar ninguém atrás por que já tinha sido mul­tado por causa disso.

Assim sendo, foram o Massashi e o Piloto com todo a nossa bagagem e o Flipper, o Mogli e eu continuamos a pé. Mais alguns quilômetros e conseguimos uma carona também, desta vez num caminhão de bebidas. Fomos lá na carroceria, por cima dos engradados.

Encontramo-nos de novo no trevo da Armação. Faltavam uns dez quilôme­tros ainda e já ia escurecer. Daí não teve jeito; tivemos que pegar um ônibus mes­mo. Chegamos à Praia da ArmaçãoGoogle Earth e paramos nas mesinhas de um bar fechado para co­mer al­guma coisa. Pão com mortadela, molho tártaro e suco, além das bolachas.

Tiramos nossa primeira foto e saímos em busca de um lugar para dormir. Ti­nha uma ilhazinha muito linda ali perto, que se comunicava com a praia através de umas pedras coloca­das ali exata­mente para isso. Demos uma volta pela vila para ver se encontrávamos alguma cons­trução aban­donada para passarmos a noite. Nada.

Fomos para a ilhota. Tinham uns lugares até que bonzinhos para dormir, abriga­dos do ven­to e com o barulho das ondas batendo contra as pedras. Mas não éramos apenas nós que tínhamos gostado da ilha. Tinha gente para todo lado e com cara de que não iam sair dali muito cedo.

Ficamos um tempo lá, admirando a paisagem. Dava para ver, bem ao longe, as luzes da Joaquina. Ali da ilha, nós vimos, na elevação que separava a praia da Armação da praia do Matadei­ro, um platozinho de pedra. Resolvemos ir dar uma olhada.

Chegar até ele não foi nada fácil. A vegetação ia até a altura do pescoço. Em­bora meio aper­tado, era um lugar que ninguém ia nos incomodar. E também já estava escuro para pro­curar outro lugar.

Nos ajeitamos como pudemos, nos cobrimos com a lona plástica que eu havia levado e nos pusemos a dormir. É muito bom dormir ouvindo o barulho do mar lá em­baixo. Nem tão bom é ouvir o barulho do vento e da chuva caindo.

Se não estivéssemos cansados, não teríamos dormido nada. O lugar era extre­mamente des­confortável, além de São Pedro não ter colaborado nem um pouco.


Foto da página do Lidiofin original, onde o Piloto desenhou o nosso acampamento em Armação.

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Continua em : Floripa - Capítulo II

15 May 2005

Ainda estou aqui

Filed under: Diversos

Amanhã vou começar a história de uma viagem que fizemos a Florianópolis. Será a primeira história não-militar do meu blog e deverá se estender por uns cinco capítulos.

8 May 2005

Reconhecimento Aeromóvel 2

Filed under: Militar

Capítulo anterior: Reconhecimento Aeromóvel
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A formação continuava a mesma de antes - eu como número dois -, mas seguiríamos a partir dali no vôo desenfiado, acompanhando cada curva do terreno, a três metros de altura. As pontas do rotor praticamente tocavam o solo durante as curvas. Estávamos também em “escurecimento eletrônico”; nossos IFF (identificação de amigo ou inimigo) e vários outros equipamentos foram desligados ou colocados em modo passivo.

Mais dez minutos de vôo e chegamos à nossa zona de reunião. Era uma grande ravina, bastante funda, que comportava perfeitamente um pelotão de helicópteros. Daria até pra tirar uma foto para o manual.

Graças ao planejamento minucioso do nosso comandante, tínhamos vindo até ali em silêncio de rádio, todos sabendo exatamente o que fazer.

Quando todos ocuparam suas posições, ouvi no rádio:

- Zulu três, Lima cinco, samba focinho.

Era a mensagem para que a minha seção iniciasse o reconhecimento.

Até aí eu tinha vindo sem muitas preocupações, apenas seguindo o comandante de pelotão e acompanhando o trajeto na carta e no GPS, para me aquecer na navegação. A partir dali, estaria liderando a seção, monitorando três freqüências de rádio (uma interna da seção, uma com o comandante de pelotão e outra, fora da situação tática, para alguma emergência real ou interferência da direção do exercício), respondendo todas as mensagens criptografadas (exigindo uma consulta ao pequeno caderno que tinha o código de mensagens para entender a mensagem e outra consulta pra responder à mensagem), cuidando na navegação (a carta cobre todo o painel do helicóptero e um pedaço do pára-brisa), marcando os waypoints no GPS e filmando com uma hand-cam os pontos pelos quais passava. Meu piloto, por sorte, era um piloto dos mais experientes da aviação do Exército.

Em dois minutos, atingi o primeiro ponto de controle, onde se iniciava o meu setor de reconhecimento. Comuniquei isso ao comandante e só depois disso ele liberou a 2ª Seção.

Eu avançava um pouco afastado da estrada principal, ocupando postos de observação e usando o zoom da câmera pra verificar um trecho grande da estrada. Quando eu via que a estrada estava segura, o outro helicóptero da seção vinha mais próximo da estrada, verificando os detalhes como pontes, fazendas e outros locais que o inimigo poderia se ocultar.

Nos pontos que havia estradas que saiam dessa principal, eu mantinha a vigilância sobre esta e o outro helicóptero seguia pela estrada secundária até próximo do limite do nosso setor.

Durante todo esse processo, eu mantinha a comunicação com o nosso comandante, que vinha navegando mais ou menos sobre o limite do setor entre as duas seções e coordenando o avanço de ambas. Tive que esperar um tempo, pois a 2ª Seção se desorientou e demorou alguns minutos para retornar ao seu eixo principal.

A 2ª Seção localizou uma viatura inimiga, informação que foi passada ao escalão superior. A minha Seção não encontrou nada (soube depois que estavam debaixo de uma árvore e conseguiram nos ver por alguns segundos).

O reconhecimento todo durou mais ou menos cinqüenta e cinco minutos. Chegando ao ponto final, o comandante nos mandou seguir para a outra zona de reunião, esta no final dos nossos setores, uma seção de cada vez. A 2ª Seção chegou primeiro e eu cheguei logo em seguida.

O comandante nos liderou durante a volta, pelo itinerário inverso ao que ele havia seguido. Troquei de função com meu piloto (só de função, não dos postos de pilotagem): eu voltei pilotando e ele conduzindo a navegação e as comunicações. Ao cruzar Guaratinguetá, acionamos novamente os IFF e alguns minutos depois fizemos o contato com o controlador da nossa base.

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