Reconhecimento Aeromóvel
Missão de reconhecimento de zona (meados de 2001)
O comandante da esquadrilha tinha acabado de passar a missão ao comandante de pelotão e ele iniciava a sua ordem preparatória, onde dizia qual seria a nossa missão, a função de cada um e todas as medidas administrativas que teríamos que tomar para aquela missão. Eram aproximadamente oito horas da noite.
Nossa missão era um reconhecimento de área, ao sul de Guaratinguetá. Devíamos procurar por unidades inimigas isoladas que atuavam na área. A frente do reconhecimento era de aproximadamente vinte e cinco quilômetros, com uns quinze quilômetros de profundidade. Nessa missão eu seria o comandante da 1ª Seção de Reconhecimento. As seções seriam mistas - um helicóptero armado de foguetes e o outro de metralhadoras (o meu estava com as metralhadoras), pois poderíamos encontrar diversos tipos de inimigos.
Depois dessa ordem, os pilotos de cada aeronave foram liberados para dormir, pois precisam de pelo menos oito horas de sono para cumprir sua missão com segurança, enquanto o comandante de pelotão , os comandantes de seção e os comandantes de bordo continuaram com o planejamento detalhado da missão.
A zona de ação do pelotão foi divida em dois; a mais a oeste para a 1ª Seção e a mais a leste para a 2ª Seção. Cada uma dessas zonas de ação tinha uma estrada principal passando por ela. Ao longo dessa estrada é que o reconhecimento devia ser realizado. Nessa estrada e em todas as outras que saiam dessa foram marcados pontos de controle numerados aleatoriamente (ímpares para mim e pares para a 2ª Seção). Definimos todas as medidas de coordenação e treinamos os códigos de mensagens. Esse planejamento foi até praticamente às duas da manhã.
Nossa decolagem, no dia seguinte, ocorreu às nove horas da manhã. Seguimos em coluna, mantendo a NBA (navegação a baixa altura) a
Mais dez minutos e chegamos ao nosso posto de reabastecimento avançado. O pessoal que operava o posto havia se infiltrado no início da manhã e estavam num pequeno sítio, com sua viatura com cinco mil litros de querosene de aviação camuflada sob as árvores. O local mal comportava as cinco aeronaves; tivemos que pousar com cuidado, tanto com as árvores como com os outros helicópteros Fennec, que pousavam um ao lado do outro.
Pousamos e reabastecemos as aeronaves nós mesmos. Com o Fennec armado, normalmente o mecânico de vôo não vai junto na missão por dois motivos: o primeiro é o peso, que diminuiria ainda mais o desempenho das aeronaves, já prejudicado pelo arrasto e peso dos casulos de armamento. O segundo é a dificuldade de sair do helicóptero em caso de emergência (com o armamento instalado, as portas traseiras não abrem).
Enquanto abastecíamos, um único mecânico que veio com a guarnição do posto de reabastecimento fazia a inspeção inter-vôo nas cinco aeronaves.
Fiz meu primeiro reabastecimento (tínhamos tido as instruções sobre operação das bombas e manuseio do material na tarde anterior) e, como não poderia deixar de ser, vazou um pouco de querosene no meu macacão.
A operação toda demorou uns trinta minutos e pouco antes das dez horas estávamos acionando novamente. Fui o primeiro a decolar, devido a posição privilegiada em que pousei e fiquei orbitando a uns
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