Reconhecimento Aeromóvel 2
Capítulo anterior: Reconhecimento Aeromóvel
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A formação continuava a mesma de antes - eu como número dois -, mas seguiríamos a partir dali no vôo desenfiado, acompanhando cada curva do terreno, a três metros de altura. As pontas do rotor praticamente tocavam o solo durante as curvas. Estávamos também em “escurecimento eletrônico”; nossos IFF (identificação de amigo ou inimigo) e vários outros equipamentos foram desligados ou colocados em modo passivo.
Mais dez minutos de vôo e chegamos à nossa zona de reunião. Era uma grande ravina, bastante funda, que comportava perfeitamente um pelotão de helicópteros. Daria até pra tirar uma foto para o manual.
Graças ao planejamento minucioso do nosso comandante, tínhamos vindo até ali em silêncio de rádio, todos sabendo exatamente o que fazer.
Quando todos ocuparam suas posições, ouvi no rádio:
- Zulu três, Lima cinco, samba focinho.
Era a mensagem para que a minha seção iniciasse o reconhecimento.
Até aí eu tinha vindo sem muitas preocupações, apenas seguindo o comandante de pelotão e acompanhando o trajeto na carta e no GPS, para me aquecer na navegação. A partir dali, estaria liderando a seção, monitorando três freqüências de rádio (uma interna da seção, uma com o comandante de pelotão e outra, fora da situação tática, para alguma emergência real ou interferência da direção do exercício), respondendo todas as mensagens criptografadas (exigindo uma consulta ao pequeno caderno que tinha o código de mensagens para entender a mensagem e outra consulta pra responder à mensagem), cuidando na navegação (a carta cobre todo o painel do helicóptero e um pedaço do pára-brisa), marcando os waypoints no GPS e filmando com uma hand-cam os pontos pelos quais passava. Meu piloto, por sorte, era um piloto dos mais experientes da aviação do Exército.
Em dois minutos, atingi o primeiro ponto de controle, onde se iniciava o meu setor de reconhecimento. Comuniquei isso ao comandante e só depois disso ele liberou a 2ª Seção.
Eu avançava um pouco afastado da estrada principal, ocupando postos de observação e usando o zoom da câmera pra verificar um trecho grande da estrada. Quando eu via que a estrada estava segura, o outro helicóptero da seção vinha mais próximo da estrada, verificando os detalhes como pontes, fazendas e outros locais que o inimigo poderia se ocultar.
Nos pontos que havia estradas que saiam dessa principal, eu mantinha a vigilância sobre esta e o outro helicóptero seguia pela estrada secundária até próximo do limite do nosso setor.
Durante todo esse processo, eu mantinha a comunicação com o nosso comandante, que vinha navegando mais ou menos sobre o limite do setor entre as duas seções e coordenando o avanço de ambas. Tive que esperar um tempo, pois a 2ª Seção se desorientou e demorou alguns minutos para retornar ao seu eixo principal.
A 2ª Seção localizou uma viatura inimiga, informação que foi passada ao escalão superior. A minha Seção não encontrou nada (soube depois que estavam debaixo de uma árvore e conseguiram nos ver por alguns segundos).
O reconhecimento todo durou mais ou menos cinqüenta e cinco minutos. Chegando ao ponto final, o comandante nos mandou seguir para a outra zona de reunião, esta no final dos nossos setores, uma seção de cada vez. A 2ª Seção chegou primeiro e eu cheguei logo em seguida.
O comandante nos liderou durante a volta, pelo itinerário inverso ao que ele havia seguido. Troquei de função com meu piloto (só de função, não dos postos de pilotagem): eu voltei pilotando e ele conduzindo a navegação e as comunicações. Ao cruzar Guaratinguetá, acionamos novamente os IFF e alguns minutos depois fizemos o contato com o controlador da nossa base.
