e-Lidiofin

29 June 2005

CPC/04 - Assalto e vigilância

Filed under: Militar

Capítulo anterior: Vigilância e Ataque
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Quinta-feira, 03 de junho de 2004

Amanhã, temos o assalto aeromóvel, a missão com o planejamento mais complexo de todos. Dezenas de medidas de coordenação e controle do espaço aéreo (C Seg, RRM, VRDA, VAB, VOP, ZVP, “Stargates”, etc). Como disse um instrutor, “o espaço aéreo é disputado a tapa” pela FAB, Aviação do Exército, Aviação Naval e artilharia anti-aérea”.

Isso sem contar o planejamento específico da nossa missão. Só de zonas de reunião temos: Luana, Maria, Rose, Priscila, Iracy, Márcia, Rita, Fabiana, Mariana, Joana, Ivete, Pérsia, Júlia, Karen, Karina, Paty, Kelly, Cindy e Michelle (copiadas da carta que está aberta aqui do lado). No final, sexta-feira à noite até acabou a imaginação para nomes brasileiros.

Sexta-feira, 04 de junho de 2004

Essa semana foi difícil.

Voamos na quarta, quinta e sexta. Mais ou menos três horas de vôo cada missão. Na quinta, quem ainda não tinha feito o vôo noturno (incluindo eu), voou à noite também. O planejamento das missões normalmente se estendia até depois das 22h00.

Ainda não comandei missão nenhuma, só fui comandante de seção na primeira missão (o reconhecimento, que já relatei aqui).

Como eu já disse aqui, os vôos de terça foram cancelados por causa das condições climáticas.

Na quarta-feira, tivemos instruções teóricas pela manhã e umas duas horas para relembrar e nos ajustarmos para a missão de vigilância, que já havia sido planejada, mas não tinha saído. Nessa missão, eu era o piloto do comandante da missão.

A missão era reconhecer qual o eixo principal que saía de São Luís do Paraitinga na direção de Ubatuba. As cartas estão desatualizadas e existem várias estradas novas nessa região. Após reconhecida essa estrada, o pelotão deveria fazer uma vigilância dessa estrada até Redenção da Serra, numa frente de uns setenta quilômetros, seguindo o rio Paraibuna. Essa vigilância tem a finalidade de localizar grandes movimentos do inimigo. Qualquer coisa além disso seria irreal, com apenas cinco aeronaves.

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Continua em Vigilância e incursão

28 June 2005

Duas mil visitas!

Filed under: Diversos

Exatamente um mês após completar as primeiras mil visitas ao e-Lidiofin, o visitante de número 2000 apareceu por aqui. Ocorreu ontem, às 23h01. Sei o link de onde ele veio, mas não tenho nenhuma outra informação.

Como já disse da outra vez, agradeço os comentários e críticas. Continuem lendo o Lidiodin.

CPC/04 - Vigilância e ataque

Capítulo anterior: Reconhecimento de Eixo
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À tarde, depois da crítica, iniciamos a instrução teórica de vigilância aeromóvel. A instrução se estendeu até pouco depois das cinco da tarde, quando recebemos a nova missão. Dessa vez, eu seria o piloto tático do Comandante do Pelotão. Uma missão de descanso (no CPC, só os comandantes são avaliados; os pilotos táticos, não).

O planejamento se alongou até quase onze da noite.

Quinta-feira, 27 de maio de 2004

Antes das seis horas, eu já estava de volta. O PT (piloto tático), apesar de não ser avaliado, tem uma série de incumbências e tem que cumpri-las direito tanto pelo sucesso da missão como para não prejudicar os companheiros que estão em função de comando. A preparação da missão continuou por toda a manhã. A decolagem estava prevista para treze horas.

Logo que o planejamento inicial fica pronto, dois instrutores saem voando pelo itinerário planejado, verificando e atualizando o mapa de risco. Apesar de não ter havido nenhum acidente grave, já aconteceram uns bons sustos em colisões com fios durante os CPC de anos anteriores.

Todos prontos para a decolagem, o tempo começa a fechar. Teto abaixo de quinhentos pés, ameaçando chover. Os instrutores retornam do reconhecimento do itinerário e dizem que o tempo está totalmente fechado na área da missão. Hora de vôo é cara, o Exército é pobre, não vale a pena sair para a missão sem poder cumpri-la e arriscando a segurança. Morrer se preciso for, mas só se preciso for. Decidiu-se por adiar a missão para sexta-feira, à tarde.

Sexta-feira, 28 de maio de 2004

Com o tempo ainda fechado, a missão foi cancelada. Dia de prova teórica e inicio da instrução de ataque aeromóvel, que irá continuar na segunda-feira.

Terça-feira, 1º de junho de 2004

Recebemos ontem a missão do ataque aeromóvel. Ficamos no planejamento até umas sete horas da noite.

A decolagem estava prevista para hoje, às oito e meia, com o HSO às dez horas.

Pela manhã, o tempo estava fechado. A missão foi adiada para a tarde.

Decolamos às 13h05, com cinco minutos de atraso. As condições meteorológicas se degradaram rapidamente e, no través de Caçapava, decidimos retornar.

No pau da goiaba, daria para fazer o vôo. O teto não estava baixo, estava apenas chovendo; e a visibilidade desceu de sete mil metros para três mil metros de uma hora para outra. As condições ainda permitiam o vôo tático. Mas ninguém estava muito confortável para voar com chuva numa região cheia de linhas de alta tensão.
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Continua em Assalto e Vigilância

27 June 2005

CPC/04 - Reconhecimento de eixo

Filed under: Militar

Capítulo anterior: Curso de Piloto de combate / 2004
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Este texto foi escrito em 26 de maio de 2004. Os relatos se iniciam na sexta semana do curso, junto com a fase de operações.

Estamos entrando na sexta semana do Curso de Piloto de Combate. Depois de muitas instruções teóricas, pistas de navegação, vôos noturnos e pousos em balizamentos táticos, terminou a fase “técnica” e iniciou-se a fase de operações.

Nas duas primeiras semanas de operações (a semana passada e a que está se iniciando hoje), ocorrem as “operações-escola”. Temos uma instrução teórica de meio dia ou um dia todo, dependendo da complexidade da operação. Depois são escolhidas as funções e é dada a missão.

A primeira missão ocorreu terça-feira passada. Era um reconhecimento de eixo. A missão foi cumprida com um pelotão de reconhecimento (cinco helicópteros HA-1 Fennec, um do comandante do pelotão e mais duas seções de duas aeronaves cada). Nessa primeira missão, minha função era de comandante da 1ª Seção.

O reconhecimento era para ser realizado saindo de Taubaté, na estrada que desce para Ubatuba, até chegar em Natividade da Serra. Em um determinado ponto, a estrada se bifurca e uma das seções seguiria por essa variante, até próximo à São Luís do Paraitinga.

A decolagem estava prevista para terça-feira, às oito horas. Uma das aeronaves teve um problema de bateria e decolamos com dez minutos de atraso, com a minha seção liderando. O vôo seguiu em NBA por alguns minutos e logo entramos no vôo desenfiado.

Apesar do atraso na decolagem, iniciamos o reconhecimento às oito e dezenove, onze minutos antes do previsto.

Minha seção iniciou o reconhecimento no trecho até a bifurcação, enquanto a 2ª Seção aguardava na uma zona de reunião Júlia (é costume na Aviação do Exército dar nomes de mulher às zonas de reunião). A aeronave do comandante do pelotão permanecia num ponto médio entre as duas seções para coordenar o movimento.

Tive um problema de comunicações com a outra aeronave da minha seção. Apesar de estarmos próximos um do outro, o terreno montuoso dificultava bastante o contato pelo rádio. Demoramos quase uma hora para solucionarmos o problema e reconhecer pouco mais de dez quilômetros da estrada.

Chegando à bifurcação, a minha seção seguiu na direção de São Luís do Paraitinga e a 2ª Seção iniciou o seu reconhecimento, indo na direção de Natividade da Serra.

A partir daí, a missão transcorreu sem problemas. Próximo à São Luís do Paraitinga, a outra aeronave da minha seção localizou cinco blindados inimigos. O comandante do pelotão disse para mantermos o contato visual com eles.

Porém, estávamos voando a quase três horas e chegando ao limite de combustível. Nessa hora, seríamos substituídos por outra seção, porém os instrutores intervieram, encerrando a missão. Retornamos até a bifurcação e o pelotão todo se reuniu na zona de reunião Paula. A partir dali, retornamos para Taubaté, pelo mesmo itinerário.

PS. Já publiquei uma história de uma outra missão, semelhante a essa, porém contada com mais detalhes. Clique aqui para lê-la.

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Continua em Vigilância e Ataque

26 June 2005

Curso de Piloto de Combate / 2004

Filed under: Diversos, Militar

Vou iniciar, a partir de amanhã, a publicação de uma série de relatos sobre o Curso de Piloto de Combate do ano passado. Esses relatos foram originalmente enviados por e-mail à Lista de Simulação de Vôo (FSIM-BR).

As histórias não estão muito detalhadas, pois eu as escrevi durante o desenrolar do curso e estava sem muito tempo para me dedicar a essa atividade.

Clicando aqui, vocês poderão ver um artigo que saiu na revista Pégasus, editada pelo Centro de Instrução de Aviação do Exército. Eu apareço na quarta, quinta e sétima fotos.

Espero que gostem dos relatos da mesma maneira que gostei do curso.

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Continua em Reconhecimento de eixo

24 June 2005

A mãe de todas as viagens - Concluindo

Capítulo anterior: Chegamos!
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A história no Lidiofin original terminou exatamente dessa maneira.

Não escrevi nada sobre os dois ou três dias que passamos em Parati e nem nos dois meses seguintes.

23 June 2005

A mãe de todas as viagens - XIII: Chegamos!

Capítulo anterior: Entre baseados e peladinhas
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Décimo dia da viagem. Acordamos às seis, arrumamos tudo e, às sete e quinze, já estávamos andando. Estávamos no sentido que deu o nome ao Morro do Deus-me-livre: cinco quilômetros de subida e dois de descida. Dizem a lenda que a vila de Trindade se formou porque as pessoas desciam até lá e depois não tinham coragem de subir de volta. Quando estávamos no carro, na vinda, não tínhamos captado toda a dimensão do negócio. Ele é quase vertical!

Depois de um tempo subindo, conseguimos uma carona. Só que era num Uno, já meio cheio. Só o Piloto foi, levando as duas mochilas.

Sem peso, meio correndo, meio andando, encontrei o Piloto depois de quase uma hora, já na Rio-Santos.

Enfim, Parati

Começamos a andar e nada de carona. Não estávamos indo rápido. Aliás, estávamos indo bem devagar; o Piloto porque tinha amputado metade do dedo no dia anterior e eu por não agüentar mais andar mesmo. O dia estava muito quente e, apesar de termos gasto quase toda a comida, a mochila parecia que ia ficando cada vez mais pesada.

Mais uma hora andando e a placa “Parati, 10 quilômetros”. Paramos por ali para descansar. Pouco mais à frente, conseguimos uma carona numa Saveiro, que nos deixou na entrada de Parati.

A primeira coisa que fizemos foi ligar para casa. Era domingo e eu não ligava desde terça-feira. Um daqueles relógios de rua marcava, alternadamente, 11:05 e 35ºC.

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Chegamos!

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Continua em: Concluindo

22 June 2005

A mãe de todas as viagens - XII: Entre baseados e peladinhas

Capítulo anterior: clique aqui
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Trindade

O lugar é maior e mais cheio de gente do que eu pensava. Demos uma volta e acabamos nos instalando no quintal da Dona Cundica. Cinco reais por dois dias. Barraca armada, demos umas voltas pela praia, entramos no mar e fomos jantar.

Para complementar o Miojo, fizemos uma sopa. Inteligentes e perspicazes, jogamos fora, antes da viagem, todas as embalagens das sopas, sobrando apenas os saquinhos metalizados. Fizemos um, crentes que era um creme de champignon para duas pessoas. Na verdade, era um sopão para seis. Quase virou uma torta, de tão espesso que ficou. Não conseguimos tomar, o vira-lata do acampamento também não quis e jogamos tudo fora. Comemos apenas o Miojo e dormimos rápido. Foi o dia mais difícil, sem contar a ida para o Bonete.

Acordamos cedo no dia seguinte e fizemos o café. Não é só nome, fizemos café mesmo. Depois lembramos que não tínhamos açúcar. Assim é a vida.

Pegamos nosso material de mergulho livre, cantil, bolachas, protetor solar e fomos para a Caixa d’Aço. Haviam nos dito que lá era o lugar para mergulhar. Tínhamos que sair de onde estávamos, na praia do Rancho, atravessar uma outra praia, que não lembro o nome e pegar uma trilhazinha para chegarmos lá. Efluindo dessa trilha, havia outras que davam em pequenas praias ou enseadas. Não sabíamos qual delas ia para a Caixa d’Aço.

Descemos por uma delas e (oh!) estava todo mundo pelado. O Piloto ficou por lá, decentemente trajado, e eu fui para o mar, ver se tinha algo que valesse a pena mergulhar por ali. Descobri que a Caixa d’Aço ficava uns duzentos metros mais à frente. Uma piscina natural de pedras, onde as ondas não entravam.

Voltei para avisar o Piloto e lá estava ele com o pé sangrando. Tinha tentado quebrar uma pedra com um chute. Não conseguiu e arrancou a unha do dedão. Não contente com isso, a unha não saiu inteira; ficou pendurada por um fiapo de carne. Pedi uma faca para um mergulhador que estava descendo a trilha e começou a juntar gente pelada para assistir à nossa cirurgia de campanha. O Piloto enrolou um pouco, mas acabou cortando.

Como ele não conseguia andar direito, pegou o material de mergulho e foi nadando para a Caixa d’Aço. Eu voltei para a trilha e fui até lá caminhando. Passamos o dia todo lá, mergulhando e tomando sol. A água era mais clara que a da Ilha das Cabras, mas com bem menos peixes.

Voltamos no final da tarde. Eu pulando para não queimar os pés na areia e o Piloto com meus chinelos, manquitolando por causa da unha. Ficamos um tempo largados perto da barraca, o Piloto desenhando e eu escrevendo.

Anoiteceu. O Piloto foi para a barraca e eu fui correr na praia. Puros que somos, jantamos e dormimos. Todo o resto de Trindade estava nas rodinhas, fumando maconha.
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Continua em: Chegamos!

21 June 2005

A mãe de todas as viagens - XI

Capítulo anterior: Apertem os cintos, o Piloto sumiu!
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Terminado o almoço, nos pusemos em marcha novamente. A trilha que a menina havia dito era, na verdade, um barranco enlameado que não foi muito fácil de escalar. Mas era curto e logo chegamos à estradinha de Picinguaba. Andamos por mais um quilômetro e chegamos a tal vilazinha. É um lugar simpático, muito tranqüilo, ótimo para ficar sem fazer nada. Mas queríamos chegar à Trindade naquele dia ainda.

Perguntamos sobre o caminho para Trindade. As pessoas que estavam lá disseram que tínhamos que voltar para a Rio-Santos. Eu acho que existe algum caminho ligando as duas praias, mas não tínhamos como encontrá-lo e não estávamos a fim de ficar perdidos no meio do mato. Pegamos uma carona com um casal que estava voltando para Ubatuba, que nos deixou na BR-101.

Andamos por mais uns três quilômetros e conseguimos carona num caminhão. O motorista nos levou até uma cachoeira, a um quilômetro da divisa dos Estados. A partir dali, fomos a pé. Alguns minutos depois, cruzamos a divisa e entramos no Rio de Janeiro. A placa dizia “Parati, 20 km”.

Continuamos andando, vendo a cara do pessoal que passava nos carros. O pai e a mãe no banco da frente discutindo, os filhos atrás, brigando entre eles. Coisa da praia em janeiro. As meninas, entediadas, passavam e nos olhavam: “Pô, eu queria estar ali, viajando sozinha, conhecendo novos lugares”… E nós olhávamos para elas: “Pô, eu queria estar ali, viajando de carro, com banho todo dia e uma caminha macia para dormir”…

Andamos mais ainda, eu já estava cansado além do dever. Falei com o Piloto para darmos uma parada. Descansamos por alguns minutos. Voltamos a andar, pedimos algumas informações e chegamos à placa “Parati, 15 km”. Ali era o desvio para Trindade. Paramos para descansar mais um pouco. Faltavam sete quilômetros. Mas não eram sete quilômetros quaisquer. Eram os sete quilômetros do famigerado Morro do Deus-me-livre. Nesse sentido, da BR-101 para Trindade eram dois quilômetros de subida e cinco de descida.

Logo que sentamos para descansar, apareceu um louco e começou a puxar papo conosco. Logo depois, passou um caminhão e nos deu carona. O louco foi junto e não parava de falar um segundo. A única coisa que me lembro era que ele havia nascido numa ilhota perto de Parati.

Desembarcamos do caminhão no topo do Deus-me-livre e começamos a descer na direção de Trindade. Passou uma Brasília bege e a motorista nos ofereceu uma carona. Fomos o Piloto e eu e o louco seguiu a pé. Ela nos levou até a vila.

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Continua em: Entre baseados e peladinhas

20 June 2005

A mãe de todas as viagens - X: Apertem os cintos, o Piloto sumiu!

Capítulo anterior: O pai da Rio-Santos
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Seguindo mais para o norte por quase uma hora, chegamos à Praia da FazendaGoogle Earth. É o oposto da anterior: mar calmo, não tão limpo, cheia de gente. Várias casas davam direto na praia e os carros circulavam pela areia. Tem até um acesso direto para a BR-101.

Continuamos em frente. A praia toda deve ter uns quatro ou cinco quilômetros. Mais ou menos na metade da praia, havia alguns obstáculos que impedem que os carros passem para o outro lado. Falamos com uma menina. Ela disse que existia uma trilha para Picinguaba no final da praia. Contudo, tínhamos que atravessar dois córregos, a água estava na altura do peito e a maré subindo.

Dez minutos depois, chegamos ao primeiro deles. Entrei na água para ver a profundidade do vau. A água estava no pescoço e subindo rápido. Voltei para pegar a minha mochila e o Piloto entrou na água, segurando a mochila sobre a cabeça. Ele é um pouco mais baixo que eu e foi ficando mais fundo.

De repente…

(Apertem os cintos!)

… o Piloto sumiu!

Ficaram de fora apenas as mãos, segurando a mochila. Como ele não voltava, me lancei no rio e fui nadando para ajudá-lo. Um pouco antes de eu chegar, ele apareceu de novo. Meio azul, porém vivo.

Minha vez.

Iniciei passando do mesmo jeito, segurando a mochila sobre a cabeça. Cheguei à parte mais funda e sumi também. A maré tinha subido mais e, nem pulando, eu conseguia tirar a cabeça da água para respirar. Tive que soltar a mochila e ir nadando. É claro que minha mochila estava impermeabilizada (profissionalismo!). Além de não entrar água, ela boiava! Cheguei à margem oposta e partimos para o segundo obstáculo.

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Cruzando o segundo rio

Esse segundo riozinho tinha um banco de areia em seu leito e conseguimos cruzar sem maiores complicações. Mais cinco minutos de caminhada e chegamos ao final da praia. Resolvemos parar ali para almoçar. Arrumamos tudo e…

Acabou o gás. A troca do refil foi um parto. Uma semana de areia e chuva engriparam todos os encaixes do nosso valente fogareiro Yanes. Depois de quase uma hora de esforços sobre-humanos, idéias mirabolantes de braçadeiras improvisadas e alavancas, o fogareiro todos arranhado nas pedras e minha camiseta rasgada, conseguimos acendê-lo novamente.

O lado bom foi que ficamos com mais fome ainda e não precisamos nos preocupar muito com a qualidade da comida. Cada um esquentou sua latinha; a minha de feijoada e a do Piloto de (eca!) dobradinha e fizemos um Tang de sabor indefinido.
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Nosso almoço na praia da Fazenda

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Continua em: Capítulo XI

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