De bike para Santos - II
Capítulo anterior: De bike para Santos - I
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O tempo estava fechando.
Voltamos, procurando por um galpão em construção. Chegamos até a represa Billings. Concluímos, coerentemente, que a trilha não pode ser grande a ponto de contornar a represa.
Nesse meio tempo, eu estava com o bike do Mogli e ele com a minha. A dele era indecentemente mais leve.
Voltamos um pouco e descobrimos o tal galpão. Não o havíamos visto por culpa da neblina. Analisamos bem o croqui e não descobrimos nada. Demos algumas voltas e topamos com dois motociclistas. Eles nos explicaram mais ou menos por onde era.
E entramos na lama. Eu já estava com a minha bike de novo e vi que o upgrade que eu havia feito valeu a pena. O caminho era horrível, só eu que pude ir pedalando; até que chegou a hora em que a roda afundou até o eixo. A partir daí, fui carregando a bike, como os outros.
Seguindo as indicações do croqui – ou o que achávamos que ele dizia -, saímos na represa. Começou a chover e a visibilidade era de poucos metros.
Pedimos informações para uns pescadores, mas eles não ajudaram em nada. Voltamos até a última bifurcação e seguimos para o outro lado.
Chegamos a um trecho calçado. Devia ser a Calçada de Lorena. Essa calçada, toda em pedra, foi construída em meados do século XIX (e restaurada alguns meses antes da nossa aventura), para que as tropas de mulas levassem o café das fazendas de São Paulo até o porto de Santos. E o melhor de tudo: ela chegava até a Estrada Velha! Na verdade, ela serpenteava, chegando até a base da serra, mas não tinha sido restaurada em toda a sua extensão. A Estrada Velha, construída bem depois, a cortava em vários pontos.
Na calçada era difícil ficar em cima da bicicleta. Além de irregular, o piso estava escorregadio devido a chuva. Solidário com os outros, fui empurrando a bike.
A calçada foi subindo até um mirante de onde, com tempo bom, daria para ver Cubatão e Santos. Bebemos um pouco de água. Ali começava a descida. Encontramos com um grupo que vinha subindo. Disseram que a estrada estava a quarenta minutos. Chegamos em vinte e cinco.
Finalmente, a estrada, só para nós.
Paramos um pouco para descansar, limpar os pneus e ajustar os freios. Aquele cara gordo com quem havíamos conversado estava passando por ali e veio ter conosco, feliz em ver que tínhamos achado o caminho. Disse que a Polícia Rodoviária tinha acabado de subir. Resolvemos descer logo, antes que ela voltasse.
A descida é mais íngreme do que eu imaginava. Em menos de cem metros eu já estava na marcha mais pesada e numa velocidade que nunca tinha atingido na bike (eu não tinha velocímetro na bicicleta, o Mogli disse que, em alguns trechos, descemos entre 70 e 75 km/h).
Pela primeira vez, tive que me preocupar com o controle da bicicleta. Frear na hora certa, buscar o ponto de tangência nas curvas, cuidar da inclinação para não derrapar. Havia curvas com mais de noventa graus. Usávamos toda a pista, passando a centímetros do barranco ou da proteção lateral da pista.
Conforme fomos descendo, a chuva parou e a neblina se dissipou. Demos uma parada para ver a paisagem – e não tínhamos máquina fotográfica!
Não sei quanto tempo levou, nem quantos quilômetros tinha a descida; foi muito rápido. Chegamos ao pé da serra, o Mogli e o Paulo uns trezentos metros à minha frente e o Piloto, uns duzentos metros atrás. O final da estrada era uma reta plana, com uns quinhentos metros de extensão e uma cancela no final.
Tentamos passar bem rápido para o guarda não nos ver. Claro que não funcionou. Ele nos parou e perguntou o que estávamos fazendo ali.
“Andando de bicicleta.”
“Mas não podem descer por aqui!”
“Não? Não sabíamos.” - que cara de pau!
“Como passaram pela cancela lá em cima?”
“Que cancela? Descemos pela Calçada de Lorena…”
“Tá bom. Vão embora, vão!”
“O senhor tem um pouco de água aí?”
Logo em frente, ficava a refinaria. O pai do Piloto, que trabalhou a vida inteira em refinarias, disse que os caminhões que sobem a serra sempre dão carona. Mas não havia nenhum subindo.
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Continua em: De bike para Santos - final

Pq sua vida é sempre cheia de aventuras?Se a minha fosse metade tão legal assim eu estaria tão, tão feliz.
Beijos.
Comment by l.felsen — 7 August 2005 @ 21:24
Estrada velha de Santos
Mais um arquivo para o Google Earth. Ele inclui cinco pontos da descida da Estrada Velha. Da para acompanhar todo o desenho da estrada nas fotos do satélite.
Clique aqui para ver os pontos no Google Earth
Clique aqui para ler o relato da nossa desc…
Trackback by e-Lidiofin — 10 September 2005 @ 18:06
Cara muita aventura só faltou as fotos, mas dá proxima vc leva a máquina beleza e posta a fotos no google.
valeu
Comment by Anonymous — 6 November 2005 @ 11:15
Ola amigos, meu nome e Carlos Chagas, na verdade sou corredor e faço
ciclismo como complemento dos meus treinos. A tempos atrás pedalei para
o litoral utilizando a estrada velha, mas agora parece não ser mais
possível. Gostaria de saber algum bom caminho para o litoral.
pudem me ajudar.Gostaria de um caminho para Santos.
Agradeço desde já.
Carlos chagas.
carloslimachagas@ig.com.br
Sao Paulo.
Comment by Carlos Chagas — 10 December 2005 @ 1:52