e-Lidiofin

5 June 2005

De bike para Santos - II

Capítulo anterior: De bike para Santos - I
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O tempo estava fechando.

Voltamos, procurando por um galpão em construção. Chegamos até a represa Billings. Concluímos, coerentemente, que a trilha não pode ser grande a ponto de contornar a represa.

Nesse meio tempo, eu estava com o bike do Mogli e ele com a minha. A dele era indecentemente mais leve.

Voltamos um pouco e descobrimos o tal galpão. Não o havíamos visto por culpa da neblina. Analisamos bem o croqui e não descobrimos nada. Demos algumas voltas e topamos com dois motociclistas. Eles nos explicaram mais ou menos por onde era.

E entramos na lama. Eu já estava com a minha bike de novo e vi que o upgrade que eu havia feito valeu a pena. O caminho era horrível, só eu que pude ir pedalando; até que chegou a hora em que a roda afundou até o eixo. A partir daí, fui carregando a bike, como os outros.

Seguindo as indicações do croqui – ou o que achávamos que ele dizia -, saímos na represa. Começou a chover e a visibilidade era de poucos metros.

Pedimos informações para uns pescadores, mas eles não ajudaram em nada. Voltamos até a última bifurcação e seguimos para o outro lado.

Chegamos a um trecho calçado. Devia ser a Calçada de Lorena. Essa calçada, toda em pedra, foi construída em meados do século XIX (e restaurada alguns meses antes da nossa aventura), para que as tropas de mulas levassem o café das fazendas de São Paulo até o porto de Santos. E o melhor de tudo: ela chegava até a Estrada Velha! Na verdade, ela serpenteava, chegando até a base da serra, mas não tinha sido restaurada em toda a sua extensão. A Estrada Velha, construída bem depois, a cortava em vários pontos.

Na calçada era difícil ficar em cima da bicicleta. Além de irregular, o piso estava escorregadio devido a chuva. Solidário com os outros, fui empurrando a bike.

A calçada foi subindo até um mirante de onde, com tempo bom, daria para ver Cubatão e Santos. Bebemos um pouco de água. Ali começava a descida. Encontramos com um grupo que vinha subindo. Disseram que a estrada estava a quarenta minutos. Chegamos em vinte e cinco.

Finalmente, a estrada, só para nós.

Paramos um pouco para descansar, limpar os pneus e ajustar os freios. Aquele cara gordo com quem havíamos conversado estava passando por ali e veio ter conosco, feliz em ver que tínhamos achado o caminho. Disse que a Polícia Rodoviária tinha acabado de subir. Resolvemos descer logo, antes que ela voltasse.

A descida é mais íngreme do que eu imaginava. Em menos de cem metros eu já estava na marcha mais pesada e numa velocidade que nunca tinha atingido na bike (eu não tinha velocímetro na bicicleta, o Mogli disse que, em alguns trechos, descemos entre 70 e 75 km/h).

Pela primeira vez, tive que me preocupar com o controle da bicicleta. Frear na hora certa, buscar o ponto de tangência nas curvas, cuidar da inclinação para não derrapar. Havia curvas com mais de noventa graus. Usávamos toda a pista, passando a centímetros do barranco ou da proteção lateral da pista.

Conforme fomos descendo, a chuva parou e a neblina se dissipou. Demos uma parada para ver a paisagem – e não tínhamos máquina fotográfica!

Não sei quanto tempo levou, nem quantos quilômetros tinha a descida; foi muito rápido. Chegamos ao pé da serra, o Mogli e o Paulo uns trezentos metros à minha frente e o Piloto, uns duzentos metros atrás. O final da estrada era uma reta plana, com uns quinhentos metros de extensão e uma cancela no final.

Tentamos passar bem rápido para o guarda não nos ver. Claro que não funcionou. Ele nos parou e perguntou o que estávamos fazendo ali.

Andando de bicicleta.”

Mas não podem descer por aqui!”

Não? Não sabíamos.” - que cara de pau!

Como passaram pela cancela lá em cima?”

Que cancela? Descemos pela Calçada de Lorena…”

Tá bom. Vão embora, vão!”

O senhor tem um pouco de água aí?”

Logo em frente, ficava a refinaria. O pai do Piloto, que trabalhou a vida inteira em refinarias, disse que os caminhões que sobem a serra sempre dão carona. Mas não havia nenhum subindo.

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Continua em: De bike para Santos - final

4 Comments »

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  1. Pq sua vida é sempre cheia de aventuras?Se a minha fosse metade tão legal assim eu estaria tão, tão feliz.
    Beijos.

    Comment by l.felsen — 7 August 2005 @ 21:24

  2. Estrada velha de Santos

    Mais um arquivo para o Google Earth. Ele inclui cinco pontos da descida da Estrada Velha. Da para acompanhar todo o desenho da estrada nas fotos do satélite.
    Clique aqui para ver os pontos no Google Earth
    Clique aqui para ler o relato da nossa desc…

    Trackback by e-Lidiofin — 10 September 2005 @ 18:06

  3. Cara muita aventura só faltou as fotos, mas dá proxima vc leva a máquina beleza e posta a fotos no google.
    valeu

    Comment by Anonymous — 6 November 2005 @ 11:15

  4. Ola amigos, meu nome e Carlos Chagas, na verdade sou corredor e faço
    ciclismo como complemento dos meus treinos. A tempos atrás pedalei para
    o litoral utilizando a estrada velha, mas agora parece não ser mais
    possível. Gostaria de saber algum bom caminho para o litoral.
    pudem me ajudar.Gostaria de um caminho para Santos.
    Agradeço desde já.
    Carlos chagas.
    carloslimachagas@ig.com.br
    Sao Paulo.

    Comment by Carlos Chagas — 10 December 2005 @ 1:52

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