e-Lidiofin

6 June 2005

De bike para Santos - final

Capítulo anterior: De bike para Santos - II
———-
Chegamos ao perímetro urbano de Cubatão por volta das duas e meia da tarde. Paramos em um posto para telefonar; só o Paulo conseguiu. Demos um jato de água nas bikes para tirar a lama.

Voltamos para a Via Anchieta. Eu sempre havia passado por ali de carro ou ônibus. Tinha a idéia de que Cubatão e Santos fossem colados um no outro – formando uma conurbação, como um amigo meu gosta de dizer. Mas não são. Tem uns bons quilômetros entre as duas cidades e nada é perto depois de se ter pedalado por seis horas seguidas.

Passamos na rodoviária para comprar as passagens de volta. Encontramos apenas uma empresa (a Ultra) que não implicava nem cobrava para trazer as bicicletas.

Saímos em busca de um lugar para comer. Enquanto procurávamos, finalmente consegui ligar para casa. Eram vinte para as quatro. Pedalamos, pedalamos e paramos em um pé-sujo que fazia um PF por vinte e cinco mil cruzeiros (não tenho nem idéia de quanto isso valeria hoje, com certeza não era caro). Arroz, legumes, feijão, farofa, salada e dois bifes. E uma porção gigantesca de batata frita para os quatro. Era a primeira vez que parávamos de verdade desde às nove da manhã.

Depois do almoço nababesco, Coca-cola, cervejas, sorvete, chocolates e chicletes, nos pusemos a pedalar de novo. Muito saudável! O Paulo já foi dali para a rodoviária. Ele tinha uma festa para ir em São Paulo e não queria perdê-la.

Agora em três, resolvemos ir até a praia. Descer a serra e não ver o mar é a mesma coisa que ficar dando voltas perto de casa. Foi quando o Piloto se lembrou que a mãe dele tinha uma amiga em Santos. Ele só não se lembrava exatamente onde.

Até que não demoramos para achar o endereço da cidadã. Aparecemos na casa dela na maior cara-de-pau e pedimos para tomar banho. Não só tomamos banho como também comemos mais ainda.

Voltamos para a rodoviária; o ônibus já estava de saída. Pensei que as aventuras do dia já haviam terminado. Mera ilusão.

O trânsito estava ruim e chegamos ao Terminal do Jabaquara quase nove horas da noite.

A partir daí, nossa cara-de-pau não ajudou mais. Não conseguimos sensibilizar nem o pessoal do metrô, nem do tróleibus. Telefonamos para várias pessoas. Ninguém poderia nos salvar. O Mogli seguiu sozinho para a sua casa.

Eram nove e quinze. Hora de encarar quase trinta quilômetros do Jabaquara até Santo André. Minhas pernas não acreditaram que eu iria fazer isso com elas, mas não teve jeito…

Viemos pedalando pela linha do Tróleibus, sem parar um só segundo. Atravessar Diadema inteira àquela hora da noite não é muito seguro.

Às dez e meia, depois de cento e trinta quilômetros pedalados, com as pernas tremendo, meio metro de língua para fora e a bike e a mochila já fazendo parte do meu corpo, lar, doce, lar.

9 Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://lidiofin.blogsome.com/2005/06/06/de-bike-para-santos-final/trackback/

  1. Desencargo de consciência

    Um monte de gente me escreve querendo informações sobre as coisas que conto aqui no meu blog. A idéia do Lidiofin é apenas contar histórias e não ensinar a fazer nada.
    Se quiserem fazer as mesmas coisas que eu:
    1 - Prestem o concurso para a Ac…

    Trackback by e-Lidiofin — 28 August 2005 @ 10:55

  2. Piffer, seu relato me trouxe muitas boas lembrancas, em 85 (um ano antes de vir morar aqui em
    Miami) 4 amigos e eu fizemos a decida pela serra velha tambem…. naquela epoca tinha um
    trem que chegava bem proximo ao comeco da serra (Barao de Paranapiacaba?? sera??)
    Encontrei o seu blog pelo Google Earth, onde de longe mato muita saudade dos pontos
    interesantes do nosso maravilhoso Brasil… Valeu !!! Disney

    Comment by Klinger Disney — 15 December 2005 @ 20:14

  3. cara que show em!
    nossa fui uma vez de SBC até a casa de pedra! quase morro! imagina esse seu role! louco em!

    Hehehehe… Valeu pelo comentário. Eu fiz isso faz bastante tempo;
    hoje, com certeza, não agüentaria fazer novamente.

    Comment by Kleber — 11 March 2006 @ 18:12

  4. Tipo, eu tava treinando para fazer 100 km na estrada, antes de ter um problema no pé e passar algum tempo de molho no hospital. Mal posso esperar pra poder chegar ao ponto de tentar novamente.
    Muito bom o relato, aqui onde moro é tudo plano, não tem descidas nem subidas, por mais que se pedale. Talvez a uns 200 ou mais km daqui tenha… Mas ainda não to nesse nível.
    Fiquei curioso para saber quais são os upgrades dos quais você fala. Recentemente eu fiz alguns upgrades na minha bike, mas meti o pé pelas mãos em muitas coisas. No final acho que minha bike está bem mais pesada para se pedalar.. Ainda bem q se tratando de bicicletas o que mais importa é o ciclista e não a bicicleta em si.
    Faloww :D

    Eram coisas simples que fiz na bike. Como se passaram vários anos, nem me lembro mais. Mas na época não tinha dinheiro nem conhecimento para fazer algo muito bom.
    Por hora, estou pedalando bem pouco, querendo retomer um ritmo de treinamento bom. Essa história e um outra que vou escrever (quando pedalei uns 90 km) são situações fora do comum, que deixaram seqüelas por vários dias.
    Abraços.

    Comment by Zohguy_Saiyajin — 13 March 2006 @ 22:52

  5. Encontre seu blog através do Google Eath, eu li seu relato da trilha pela estrada velha, cara foi demais, enquanto eu lia estava me imaginando fazendo o mesmo. Sua historia é muito ispiradora e eu espero um dia fazer o mesmo.

    Comment by Denis Fagundes — 2 November 2006 @ 12:28

  6. Fiz esse percurso 2 vezes e com certeza foi um dos + melhores q ja fiz.. quem esteve la sabe…. A primeira vez foi em 1997, peguei carona ate o início da descida deixei um “café” com o guarda da cancela e blz… Tinha um pedaço da estrada que estava demoronada, ai tivemos que descer e escalar uns pedaços com as bikes nas costas. Na cancela la de baixo (em Cubatão) aconteceu exatamente como vc conta em seu relato rsrsrs… ai fomos até Mongaguá (quase morri). A segunda vez em 2004 saimos de nossas casas (Tucuruvi, Zona Norte de SP) e fomos de baixo de chuva todo tempo. Seis anos depois da primeira descida, eu percebi q não tinha nem metade do preparo que tinha antes. Bom.. o esquema foi parecido, com a diferença de ter chego na casa de pedra acabado, mas o “cafezinho” teve que ficar la para o guardinha (acho q o apelido dele era Moringa) e desta vez não tinha ninguem la em baixo para nos barrar. Para finalizar fomos p/ rodoviária de Cubatão desmontamos as bikes (so tiramos as rodas e amarramos com fita adesiva no meio da bike so para diminuir o volume) colocamos no onibus e viemos p/ o Jabaquara, com a mesma cara de pau que saimos do onibus, entramos no metro e ninguem falou nada… chegamos no Tucuruvi tarde da noite e totalmente destruidos. Mas com certeza, assim como qualquer pessoa que ja tenha feito essa aventura, eu tb faria td de novo.

    Eu digo o mesmo, Gustavo. Vontade é o que não falta. Mas quatorze anos se passaram e hoje eu sofro para ir pro trabalho de bike. A preguiça quase sempre vence :)

    Comment by Gustavo Kreutzer — 1 January 2007 @ 19:34

  7. Cara que master… achei vc no Google Earth.
    realmente deve ter sido incrivel!!

    abraçs!

    Comment by Guilherme — 7 January 2007 @ 17:46

  8. Fiz o mesmo com meus amigos nos anos de 1962-1963 duas vezes mas fizemos o caminho a pe. Naquele tempo nao havia cancela of guarda. Esta estrada pertence ao publico, naoha necessidade de guardas. Grande aventura que jamais esquecerei. Uma vez decemos de bicicleta e voltamos do mesmo jeito.

    Comment by PAULO SZWEC — 7 January 2008 @ 15:37

  9. este com certeza é o melhor passeio pra quem gosta de andar de bicicleta…. infelizmente, não é mais possível fazê-lo…. antes de casar (ou seja, antes da barriga crescer) eu ia todo mês e conheço todas as trilhas por lá… semana passada fui tentar com um amigo reviver esta boa época da vida qdo me deparei com uma cancela 1 km antes da antiga - agora eles estão cobrando pra vc andar por lá e, acreditem, somente à pé! é claro q eu não ia me dar por vencido e, peguei uma trilha alternativa que me permitiu cuzar a estrada depois da cancela e chegar à trilha original…. mas eles estão monitorando a estrada toda e o resultado foi q tivemos que subir assim que terminou a calçada de lorena…. não sei quanto à maioria das pessoas, mas eu acho que é ridículo que o governo feche uma estrada e simplismente “cobre” para passar à pé ou de bicicleta. Eu posso dizer que já fui um dos felizardos a desfrutar curtir este passeio que, como a maioria das coisas, parece que conseguiram estragar…

    Comment by Daniel — 11 February 2009 @ 11:59

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com