A mãe de todas as viagens - II
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Fomos de ônibus até Borrifos, o ponto final. Perguntamos ao motorista sobre a praia do Bonete, onde iríamos acampar. Ele disse que eram dezoito quilômetros. Deu para ver o desânimo na cara das meninas. Tínhamos lido que eram doze quilômetros e, mesmo assim, foi difícil convencê-las a encarar a empreitada.
Para essa aventura, tínhamos nos preparado com antecedência. Nas semanas anteriores, fomos inclusive à mapoteca da Biblioteca Mário de Andrade procurar alguns mapas. E lá se descortinou diante de nossos olhos o maravilhoso mundo da microfilmagem, com todas as suas mutretas e escaramuças. Fizemos um microfilme – para mim, microfilme era coisa de espião – de uma carta na escala 1:50.000 de toda a costa de Ilhabela e imprimimos em um mosaico de umas dez folhas A4.
O caminho já começava com uma subida absurdamente íngreme, só para a estrada mostrar quem é que mandava ali.
Com quarenta e cinco minutos de caminhada, fizemos nossa primeira parada. Já estava dando para sentir o peso da mochila e começar a suar. Fizemos essa parada bem no início de uma subida. Resolvemos raciocinar um pouco e fazer as próximas paradas depois das subidas, para não nos cansarmos logo de cara. Só que essa idéia não deu certo; a estrada só subia!
Depois de algum tempo, chegamos à subida do Cação. É o ponto mais alto da estrada. E a subida mais íngreme também. Como se não bastasse, o revestimento da estrada – na verdade, uma trilha meio larga – era de cascalho solto.

No alto da subida do Cação
Porém, como nenhum sofrimento é eterno, logo após essa subida, chegamos à Cachoeira da Laje
. A metade mais fácil do caminho tinha ficado para trás.
Essa cachoeira formava à esquerda do caminho uma piscina natural. À direita, havia umas pedras, de onde dava para escorregar e cair na piscina. Ficamos por ali por uma hora e meia ou duas.

Cachoeira da Lage
Seguimos em frente. O caminho ficou cada vez mais tortuoso e acidentado e os intervalos entre as nossas paradas foram diminuindo. A Meg, a Luri e a Akemi foram ficando cada uma de uma cor, nenhuma delas muito saudável. Numa das paradas, passei um monte de coisas da mochila da Meg para a minha. Um pouco mais à frente, o Flávio pegou a mochila da Luri e carregou-a até o fim.
Passamos por mais duas cachoeiras não tão legais, subimos, descemos, andamos muito até que chegamos a uma perambeira que parecia impossível de se descer. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi o desespero de ter que subí-la na volta.
Descemos sentados, escorregando e agarrando-nos nas raízes e…
Depois de oito horas e cinqüenta e nove minutos de caminhada, a Praia do Bonete
, o lugar mais isolado e inóspito de Ilhabela.
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Continua em: Capítulo III

Bom, me lembro que começamos bem a caminhada, andamos 50 min, descansamos 10, andamos mais 50 min, descansamos 10, andamos 10 min, descansamos 50…
Comment by Katia Akemi — 7 August 2005 @ 21:58
Olá, legal a aventura da trilha do Bonete. Amo Ilhabela e vou para lá desde que tinha 2 anos de idade. Já fiz a trilha 4 vezes, onde íamos e voltávamos no mesmo dia. Acampamos lá a 1ª vez em 12/2002; na semana passada fomos até lá para acampar, porém está bem diferente, tem até 2 orelhões da telfônica. Tinha 2 campings, porém os donos não estavam, então ficamos numa pousada. Tem até um restaurante que se chama MC Bonet´s. Marcamos apenas o tempo de caminhada em 2 mulheres e 1 homem com um peso médio de 8 kg cada um e levamos 4 hs. Íamos apenas descansar para voltar no dia seguinte, mas choveu muito e quando tentamos ir embora na chuva na manhã do dia seguinte, vários boneteiros falaram que era suícidio, pois as cachoeiras do Areado e Lajes estavam com correnteza muito forte e poderiam nos arrastar. Fomos obrigados ficar mais um dia. Que foi muito legal, pois conhecemos várias “figuras” do Bonete. Conseguimos sair às 6:30 hs da manhã e chegamos até o estacionamento da Ponta do Sepituba, onde estava meu Gurgelzinho, por volta das 10:20 hs.
Obs: Apenas um detalhe, a foto que vc colocou como sendo do topo do Cação está incorreta, pois esta vista é quando vemos a ponta do Bonete pela 1ª vez…
Comment by Nildo e Bruna Gramolelli — 19 March 2008 @ 17:31
Cara, sem duvida o Bonete é muito louco. Já fui 5 vezes e as duas primeiras nem camping tinha. Agente acampava na praia
mesmo, debaixo dos chapeus de sol. Sobre as chuvas realmente acontece, uma das saidas que tivemos foi que levamos corda
no caso de chover muito. Quanto ao morro logo na primeira parte da caminhada que se chama Morro do Cação, quem
conhece a trilha chama carinhosamente de morro do caralho, “porra essa subida nunca acaba”. Mas realmente vale apena,
Bonete é maravilhoso. Depois de 7 anos esse ano ainda volto lá.
Comment by samuel — 10 September 2008 @ 14:46