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11 June 2005

A mãe de todas as viagens - III: Bonete

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A praia é muito bonita, se parece com a Lagoinha do Leste, lá de Florianópolis. Uma enseada bem grande, em forma de “U”, com a praia ao fundo. Uma faixa de areia, uma de árvores e depois uma pequena vila de pescadores.

Achamos um lugar legal para montar o nosso acampamento, em frente à casa do Seu Gelci (não sei se é assim que se escreve). Éramos os únicos acampando em toda a praia do Bonete. Mal paramos, os borrachudos começaram a atacar.

As meninas inventaram logo de ir tomar banho. Eu, o Flávio e o Piloto fomos para o mar. Saímos d’água e ficamos um tempão esperando e sendo comidos pelos mosquitos.

As meninas voltaram e fomos nós tomar banho. O banho era num rio, depois da vilazinha. O único problema eram os pituzinhos que ficavam mordendo nossos pés.

Jantamos e ficamos um tempo conversando, até bater o sono. Fomos dormir. As meninas na barraca (só tínhamos uma), o Flávio e eu em redes e o Piloto com um isolante térmico e uma lona plástica por cima.

Depois de mais ou menos uma hora se sono, começou a bacafuzada. Ventou, ventou, ventou e a chuva caiu. Não bem caiu, ela vinha de lado.

A cobertura da minha rede já foi embora logo de cara. Tirei a roupa (claro que mantendo o mínimo para cobrir as partes pudendas) e guardei-a na mochila antes que ficasse muito molhada, me encolhi na rede e comecei a torcer para amanhecer logo; deviam faltar só umas nove horas para o Sol nascer. O Piloto, mais do que depressa, já pulou para dentro da barraca. O Flávio, ao contrário do que eu fiz, não confiou naquele céu azulzinho, preparou direito a rede e dormia tranqüilo.

Trovões, relâmpagos, o vento apitando no ouvido, a chuva de lado agulhando a gente, muito frio. Que programa de índio!

Foi aí que ouvi: “Tá pingando aqui dentro!”

Eu não acredito que a Akemi falou isso, lá de dentro da barraca. Aqui fora é que está pingando!

Dei uma volta pela praia e vi que a chuva não ia parar tão cedo. Dei uma ajeitada na cobertura da barraca, afundei um pouco mais os espeques na areia, peguei a toalha e uma roupa seca na mochila e pulei para dentro da barraca também.

A barraca para quatro pessoas já tinha seis, além das mochilas das meninas. Porém, não cabem seis pessoas numa barraca para quatro. Isso é físico, não tem como reagir. Para melhorar a goteira continuava lá. Depois que eu mexi na cobertura, ela apenas foi da barriga da Akemi para a cabeça da Karla.

De quando em quando, todos trocavam de posição, para mudar a câimbra de lugar. No meio da noite, troquei de lugar com a Karla. Pingava na minha testa.
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Como estávamos dentro da barraca - extraído do Lidiofin original

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Continua em: Capítulo IV

1 Comment »

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  1. Nem em programas de vale tudo por dinheiro conseguiram colocar tantas pessoas e coisas dormindo num mesmo lugar. Tô rindo tanto, não consigo me segurar! Está muito divertido relembrar tudo isso.

    Comment by Karla — 7 August 2005 @ 22:02

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