e-Lidiofin

21 June 2005

A mãe de todas as viagens - XI

Capítulo anterior: Apertem os cintos, o Piloto sumiu!
———-

Terminado o almoço, nos pusemos em marcha novamente. A trilha que a menina havia dito era, na verdade, um barranco enlameado que não foi muito fácil de escalar. Mas era curto e logo chegamos à estradinha de Picinguaba. Andamos por mais um quilômetro e chegamos a tal vilazinha. É um lugar simpático, muito tranqüilo, ótimo para ficar sem fazer nada. Mas queríamos chegar à Trindade naquele dia ainda.

Perguntamos sobre o caminho para Trindade. As pessoas que estavam lá disseram que tínhamos que voltar para a Rio-Santos. Eu acho que existe algum caminho ligando as duas praias, mas não tínhamos como encontrá-lo e não estávamos a fim de ficar perdidos no meio do mato. Pegamos uma carona com um casal que estava voltando para Ubatuba, que nos deixou na BR-101.

Andamos por mais uns três quilômetros e conseguimos carona num caminhão. O motorista nos levou até uma cachoeira, a um quilômetro da divisa dos Estados. A partir dali, fomos a pé. Alguns minutos depois, cruzamos a divisa e entramos no Rio de Janeiro. A placa dizia “Parati, 20 km”.

Continuamos andando, vendo a cara do pessoal que passava nos carros. O pai e a mãe no banco da frente discutindo, os filhos atrás, brigando entre eles. Coisa da praia em janeiro. As meninas, entediadas, passavam e nos olhavam: “Pô, eu queria estar ali, viajando sozinha, conhecendo novos lugares”… E nós olhávamos para elas: “Pô, eu queria estar ali, viajando de carro, com banho todo dia e uma caminha macia para dormir”…

Andamos mais ainda, eu já estava cansado além do dever. Falei com o Piloto para darmos uma parada. Descansamos por alguns minutos. Voltamos a andar, pedimos algumas informações e chegamos à placa “Parati, 15 km”. Ali era o desvio para Trindade. Paramos para descansar mais um pouco. Faltavam sete quilômetros. Mas não eram sete quilômetros quaisquer. Eram os sete quilômetros do famigerado Morro do Deus-me-livre. Nesse sentido, da BR-101 para Trindade eram dois quilômetros de subida e cinco de descida.

Logo que sentamos para descansar, apareceu um louco e começou a puxar papo conosco. Logo depois, passou um caminhão e nos deu carona. O louco foi junto e não parava de falar um segundo. A única coisa que me lembro era que ele havia nascido numa ilhota perto de Parati.

Desembarcamos do caminhão no topo do Deus-me-livre e começamos a descer na direção de Trindade. Passou uma Brasília bege e a motorista nos ofereceu uma carona. Fomos o Piloto e eu e o louco seguiu a pé. Ela nos levou até a vila.

———-
Continua em: Entre baseados e peladinhas

Comments »

The URI to TrackBack this entry is: http://lidiofin.blogsome.com/2005/06/21/a-mae-de-todas-as-viagens-xi/trackback/

No comments yet.

RSS feed for comments on this post.

Leave a comment

Line and paragraph breaks automatic, e-mail address never displayed, HTML allowed: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Jay of onefinejay.com