CPC/04 - Vigilância e incursão
Capítulo anterior: Assalto e vigilância
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Decolamos logo após o almoço. O vento estava forte, com rajadas acima de vinte nós.
O pelotão seguiu como um todo até próximo a São Luís do Paraitinga, com a 1ª Seção à frente, o comandante ao centro e a 2ª Seção à retaguarda.
A 2ª Seção ocupou a Zona de Reunião Kátia, enquanto a 1ª partiu para o reconhecimento. Eu, conduzindo a aeronave do comandante, fui ocupando postos de observação, tentando manter contato com as duas seções.
Terminado o reconhecimento do primeiro trecho da estrada, a 2ª Seção seguiu para o seu setor de vigilância.
A dificuldade dessa missão é justamente o contato entre as seções. Durante grande parte da missão, não conseguimos contato nenhum, nem por HF.
Além disso, o vento não colaborava em nada. Era praticamente impossível manter um pairado próximo do topo da elevações. Teve um momento que pegamos um rabattant e perdi totalmente a sustentação. Entramos num mergulho a mais de 1500 ft/min até ganhar sustentação translacional novamente e podermos voltar ao topo da elevação.
O tempo foi passando e nada de conseguirmos contato. É claro que isso tinha sido pensado e cada seção tinha seus horários a cumprir, mesmo sem contato com o comandante do Pelotão.
Para que o Comandante não ficasse ali, apenas vendo o tempo passar (afinal ele estava sendo avaliado na missão), o instrutor disse para subirmos inicialmente a quatro mil, depois cinco mil e finalmente a cinco mil e quinhentos pés. A idéia é que ele fizesse contato com as seções e pudesse determinar as condutas do pelotão. Mesmo assim, com eu orbitando como se fosse um AWACS, nada de conseguir contato. Num horário estipulado, que não lembro qual era, iniciamos o nosso retorno (o horário foi estipulado ente os instrutores, nós não sabíamos dele; o nosso limite planejado era 30% de combustível). O pelotão se reuniu, já fora de situação, nos entornos do Morro Grande, a maior elevação aqui da região, e retornamos para Taubaté.
A missão não foi cumprida, mas isso já era esperado. Ela nunca foi cumprida em CPC nenhum e é uma missão que dificilmente será dada à Av Ex numa situação de combate. A finalidade é sabermos como se realiza e avaliar os que estão em função de comando.
As Seções também tiveram suas dificuldades. A carta mostra apenas uma, mas pelo menos três estradas saem de São Luís do Paraitinga indo para o sul. No outro lado, a 2ª Seção teve dificuldade até em achar a sua zona de ação. A represa de Paraibuna está MUITO cheia e transformou todo o traçado do terreno.
Após o debriefing, recebemos a missão de incursão aeromóvel. Essa missão seria a que eu iria comandar. Mas como eu já tinha sido comandante de seção e tinha gente que não tinha pego nenhuma função de comando ainda, acabei ficando como Oficial de Segurança de Vôo. Ou seja, tinha que fazer o gerenciamento do risco da missão e mais nada.
Eu, que não tinha nada para fazer, fiquei ajudando o pessoal até umas dez e meia da noite. A maioria do pessoal foi embora e os que estavam em funções de comando ficaram ajustando os detalhes até quase a meia-noite.
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Continua em Reconhecimento, Incursão e Ataque
