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6 July 2005

A Trilha do Cabral - 1

Capítulo anterior: O Mapa
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26 de dezembro de 1995

A rodoviária do Tietê estava lotada, como em qualquer outro feriado. Estávamos o Piloto, a Fabi e eu embarcando para vinte e quatro horas de viagem até Itamaraju, no sul da Bahia. A viagem, num ônibus da Itapemirim, não teve nada de diferente. A cada oito horas, havia a troca de motoristas e o que entrava se apresentava para os passageiros.

Por volta das sete e meia da manhã do dia seguinte, chegamos a Itamaraju. Não era ali que começava o nosso programa de índio propriamente dito. Itamaraju não fica na praia, fica a uns cinqüenta quilômetros para o interior.

De Itamaraju, pegamos um ônibus para Prado. Chegamos lá por volta das nove e meia. Ali começava a aventura. Aproveitamos para colocar as nossas roupas de briga e guardar as mais apresentáveis para dali a duas semanas, quando chegássemos a Porto Seguro. Cada um se trocou de acordo com seu grau de pudor: a Fabi no banheiro de um restaurante, eu na praia e o Piloto em frente da igreja.

Paramos numa casa para pedir água. Enchemos nossos cantis e garrafas de Big Coke - uns quatro litros com cada um - e…

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O Piloto, a Fabi e eu em Prado

…LET’S ROCK!

A praia de Prado estava cheia de turistas. Até me causou certo espanto, pois eu nunca tinha ouvido falar da cidade antes.

Como sempre ocorre, o pessoal ficou olhando meio desconfiado para nós. Afinal, no calor da Bahia, com todo mundo quase pelado na praia, passamos nós, com mochilas, tênis, bonés, indo em direção ao fim do mundo.

Esse caminho apareceu numa edição da revista Terra. A reportagem nem tinha me chamado a atenção. Para mim, praia na Bahia significa carnaval, coisa na qual não sou muito afeito. Foi o Piloto que leu a reportagem e teve a idéia. Esse caminho que iríamos fazer é o inverso ao que Pedro Álvares Cabral fez quando chegou ao Brasil, quinhentos anos atrás. Dizem que português é burro, mas ele chegou a Porto Seguro e foi até Prado numa caravela - houve um pessoal que veio por terra – e com o vento a favor. Nós, inteligentes e capazes que somos, estávamos fazendo o mesmo caminho a pé e com o vento contra. Como a grande maioria das praias que iríamos passar é deserta, veríamos as mesmas paisagens que nossos amigos lusos viram há cinco séculos.

Andamos por duas horas e paramos num bar. O pessoal de lá perguntou se estávamos indo para Cumuruxatiba. Dissemos que sim e eles falaram que era muito, muito longe. Mal sabiam eles que Cumuruxatiba seria apenas a nossa primeira parada. Comemos uns salgadinhos com refrigerante, descansamos um pouco e seguimos em frente.
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Continua em: A Trilha do Cabral 2


1 Comment »

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  1. Muitas lembranças dessa viagem! E o que me deixou mais espantada é que vai fazer 10 anos! Não se esqueça das Salsichas Amor e do Sacoso, intrépidos companheiros de aventura! Beijos! Não vejo a hora de ler o resto!

    Comment by fabi — 17 August 2005 @ 0:18

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