A Trilha do Cabral - 10: Porto Seguro
Capítulo anterior: Assédio sexual
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Quatro quilômetros de estrada e chegamos à balsa. Atravessamos para o outro lado e enfim Porto Seguro! Prado estava há dez dias e cento e cinqüenta e cinco quilômetros de distância. Fizemos cinqüenta e quatro quilômetros de barco e cento e um a pé.
Chegando em Porto Seguro, telefonamos para o Albergue da Juventude de lá. Havíamos combinado de encontrar a Denise, a Fabi e a Cris lá. Só que elas não estavam. Só pegamos o endereço. Era do outro lado da cidade! Bem que podia ser mais perto…
Mas, o que é uma chaga a mais para um lazarento? Fomos andando e aproveitamos para conhecer a cidade. Não sei o que o povo vê em Porto Seguro. A cidade é feia e suja, a praia é mais suja ainda. Para todo lado só se vê turistas com camisetas do tipo “estive em Porto Seguro e lembrei de você”, com algum desenho obsceno nas costas.
Lá foi o primeiro lugar que eu vi aqueles orelhões temáticos. Os de lá eram em forma de berimbau ou de coqueiro. Havia pelas ruas também as baianas vendendo acarajés que não inspiravam a mínima confiança; não serviam nem para experimentar por curiosidade antropológica.
Conseguimos chegar ao Albergue. Parecia mais um hotel, todo arrumadinho e cheio de formalidades. Tinha horário para isso e para aquilo, tinha uma fitinha para amarrar no braço para o segurança nos deixar entrar, tinha andares separados para homens e mulheres. Não tinha cozinha, mas tinha uma cantina meio cara para um albergue da juventude. Os outros albergues que eu conhecia eram um pouco mais bagunçados, o que dá um ar mais “da juventude”, mas nem sempre é uma vantagem. Ficamos lá mesmo. As meninas tinham ido para a praia, menos a Fabi, que já tinha voltado para Sampa. Uma pena; queríamos tê-la encontrado, para contar as aventuras desde que tínhamos nos separado, em Caraívas.
Deixamos nossas coisas no quarto (que tinha até telefone!) e saímos para almoçar. Procuramos por um PF bem grande e barato, daqueles de caminhoneiro mesmo. Demorou, mas encontramos. Enquanto comíamos, discutimos sobre como existiam lugares bem arrumados e que não tinham o mínimo charme (o Albergue de Porto Seguro), lugares bem simples, mas super legais (a Pousada Sol da Manhã, em Trancoso) e lugares muito simples, feios, sem charme nenhum e com comida ruim (o lugar onde estávamos). Para se ter uma idéia, não tinha nem Coca-Cola; só Crush.
A próxima dificuldade foi encontrar o caminho de volta para o Albergue. Quando achamos, as meninas não tinham chegado ainda. Fomos para o quarto e na falta de algo melhor para fazer, ficamos falando com as meninas do quarto de cima pelo telefone. O Piloto ligou e disse que era o “Louco por Lee”, vê se pode uma coisa dessas! Aproveitamos também para dar uma passada na parte histórica da cidade, que fica bem em frente ao Albergue.
Lá pelas três ou quatro da tarde, a Denise e Cris chegaram. A Cris era a troncudinha amiga de faculdade da Denise, que a gente conhecia de nome, mas não sabia como era a cara. E era aniversário dela. Parabéns!
Pusemos em dia as nossas histórias e elas nos apresentaram um cara que conheceram por lá. Era um oficial temporário de Material Bélico que dizia que a única utilidade dele ser oficial do Exército era poder entrar nas baladas sem pagar! Isso revolta quem tinha acabado de se formar depois de quatro anos de ralação na Academia Militar.
À noite, as meninas levaram a gente para conhecer a cidade. O point de lá é a tal da passarela do álcool, a avenida principal da cidade que, à noite, vira uma Sodoma e Gomorra. Andamos para lá e para cá, sem parar em lugar nenhum. As meninas ainda encararam uma boate, mas nós, sem grana nenhuma, voltamos para o Albergue.
No dia seguinte, as meninas acordaram antes da gente. Tomamos o café e fomos para praia do Virasol.
A praia era longe, mas com a Denise e seus atributos, conseguimos carona rapidinho.
Como eu já falei, as praias de Porto Seguro não são as mais bonitas. O povo vai para lá por causa de festa que fazem. Virasol não era diferente. Tem até um palco na praia.
O que estava mais na moda era a música do Tchan, que tinha sido lançada ali mesmo. Mas tocavam também a Dança da Garrafa, o Rala-Pinto e outras obscenidades do mesmo calibre. E o povo ainda subia no palco para dançar! Eu não nasci para isso.
Os garçons dos bares fazem um show à parte, cada um berrando e batendo nas bandejas mais que o outro.
Voltamos de lá já tarde e fomos almoçar só às cinco da tarde. Almoçamos num restaurante self-service por quilo, ao lado do Albergue, que dava desconto para quem estava hospedado lá.
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Continua em: Quebrando as regras

Vi o endereço do seu blog na comunidade do orkut “Novos Escritores do Brasil”, Nossa vc escreve SUPER Bem Gostei mesmo. Vou sempre te visitar. Bjos
Comment by silvia (lolla) — 17 August 2005 @ 2:29