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4 August 2005

Cavernas 1 - A Caverna do Diabo

Capiítulo anterior: Introdução
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Quarta-feira, 02 de fevereiro de 1994

Como em quase todas as viagens, muita gente falou que iria. Mas, no final das contas, fomos apenas a Tati, o Piloto e eu. A Tati eu não conhecia; era amiga do Piloto, não sei de onde.

O Piloto disse que arranjaria a barraca com um amigo do irmão dele. Acabou não conseguindo e eu pedi para um amigo meu que sempre me emprestava. A barraca era para quatro pessoas e estávamos em três. Espaço de sobra.

Pegamos o trem para Sampa às cinco da manhã, encontramos a Tati na rodoviária e de lá, fomos para Registro. O ônibus foi parando a cada dez minutos, demorou uma eternidade para chegar lá. Não lembro o que aconteceu no caminho, tivemos problemas com os ônibus, gastamos mais dinheiro do que pretendíamos e chegamos ao PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) perto das sete da noite.

O acampamento fica bem próximo ao rio Betary. Tem a área de barracas, um rancho coberto, com umas mesas e bancos de madeira e alguns banheiros e chuveiros. Montamos nossa barraca, demos umas voltas ali por perto e até entramos no rio. Dormimos cedo.

Eu já havia estado lá em 1992, com meus pais, mas não tínhamos acampado e sim ficado hospedados do albergue de Eldorado e depois num hotelzinho em Iporanga. No dia seguinte, acordei pouco depois das sete horas.

Quinta-feira, 26 de dezembro de 1991

Chegamos ao albergue da juventude quase às dez da manhã. Estava deserto, apenas nós estamos hospedados. Esse albergue aqui de Eldorado não é de alojamentos, como a maioria do albergues que conheço, e sim em chalés. Um chalezinho de madeira até que bem simpático para um albergue. Aliás, foi a primeira vez que meus pais ficaram num albergue.

Demos umas voltas próximas ao albergue e entramos na Caverna do Diabo (a entrada fica a trezentos metros do chalé).

O interior da caverna é indescritível, muito lindo. O que estraga são as passarelas construídas lá dentro para facilitar a visitação e a iluminação que foi instalada. Além destruir formações naturais para a construção das passagens, o calor dos holofotes seca as paredes. As gotas que ficam escorrendo e pingando em toda a caverna depositam os sedimentos e fazem os espeleotemas crescerem. Isso ocorre muito lentamente, poucos centímetros por século. Secas, as formações deixam de se desenvolver.

Meus pais já haviam estado lá em 1968. Foram junto com um pessoal de Geologia da USP. Naquela época, o parque não existia ainda. Aliás, não existia nada por ali.

Tinham que subir cinco quilômetros de serra a pé, pois não havia estrada. Também não havia iluminação dentro da caverna e não era raro alguém se perder lá dentro. Aparentemente, é impossível chegar aos lugares onde eles chegaram sem as escadas, pontes e passarelas, apenas subindo, descendo e pulando de pedra em pedra sem escorregar. Em 68, a caverna devia ter um charme bem maior…

À noite, os três ônibus estacionavam um ao lado do outro e ninguém saía por causa das (quem diria!) onças. Inclusive, eram acesas fogueiras ao redor dos ônibus.

Subi o quilômetro de estrada que separa a sede do parque, perto de onde estávamos acampados, da casinha de madeira que marca a entrada. Eu tinha que ir lá resolver algumas medidas administrativas (preencher o livro de registro, pagar as diárias – na época era um real por pessoa por dia), que não pudemos fazer no dia anterior, devido ao adiantado da hora. Recebi uma plaquinha de madeira com o número 5 para pendurar na barraca e um rolo de papel higiênico.
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Continua em: A Caverna de Santana

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