Cavernas 2 - A Caverna de Santana
Capítulo anterior: A Caverna do Diabo
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Voltei para o acampamento. O Piloto e a Tati ainda não haviam acordado. Ficamos um tempo a mais na barraca e fomos tomar café.
Logo após, saímos à cata de um guia para entrarmos na Caverna de Santana, a principal daquele núcleo do parque. O único que estava lá era o Seu Didi, o mesmo que nos guiou na primeira vez que estive lá, com meus pais.
Em 1991…
Chegamos à entrada da caverna. Todos nós estávamos com capacetes fornecidos pelo parque. O do guia tinha uma lanterninha na frente. Minha mãe levava uma lanterna, meu pai, a máquina fotográfica e eu carregava um lampião a carbureto do parque. Não sei porque, o pessoal das cavernas usa esse negócio de carbureto ao invés de lanternas ou lampiões elétricos, mas com certeza deve haver um motivo.Ao contrário da Caverna do Diabo, as construções se resumem a pontes improvisadas com troncos e escadas verticais de madeira – e apenas onde seria impossível a passagem sem elas. O tour pela caverna tem oitocentos metros (a caverna toda tem cinco mil e oitocentos) e leva uma hora, aproximadamente.
Para deixar o passeio mais “rústico”, centenas de milhares de mosquitos minúsculos ficam voando ao redor da gente. Entram no nariz, nos olhos, ouvidos, na roupa e, se pensarmos em reclamar, entram na boca também. Por três ou quatro vezes, meu lampião apagou porque eles entupiram a saída de carbureto. Quando passava a mão na testa para enxugar o sour, esmagava algumas dezenas deles e ficava aquela nojeira grudada. Aumentei a abertura da válvula de carbureto e comecei a torrá-los com o lança-chamas improvisado.
O passeio na caverna é muito legal. Passagens com vinte centímetros de largura e água de ambos os lados, outras em que não vemos o fundo do abismo. Frestas de meio metro, trechos longos com menos de um metro de altura.
O parque fornece capacetes e o serviço de guias é gratuito.
Mesmo já tendo estado lá, não tem como não ficar impressionado com os espeleotemas dessa caverna. A escuridão da caverna é diferente de tudo que você já viu - ou deixou de ver, melhor dizendo. Apagando as lanternas, você fica com a ausência total de luz, uma sensação estranha e desagradável. Mais ainda quando o Seu Didi se escondia da gente.
Passamos por algumas passagens bem estreitas que eu não havia passado na outra vez que estive lá. Estivemos também no túnel do segredo: uma passagem de alguns metros, onde você entra rastejando. Chegando ao final, deita de costas e olha para cima. O túnel continua por mais alguns metros e dá para ver algo no final. O que é? Só entrando lá para saber, eu não vou contar aqui. O Piloto disse que era o Elvis, com algodões no nariz, acenando para ele.
Saímos da caverna depois de uma hora e meia e voltamos para a barraca. Enquanto almoçávamos pão com patê e suco, começou a chover. Dormimos e acordamos depois das cinco e meia. A Tati tinha acordado antes e disse que havia parado de chover, fez sol e já ameaçava chover novamente.
Ficamos jogando cartas na barraca.
Pouco antes de escurecer, entramos no rio. Não estava frio. Subimos por ele uns duzentos metros, o Piloto e a Tati pegando pedrinhas para suas coleções.
Voltamos, tomamos banho e jantamos.
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Continua em: A Caverna do Morro Preto

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Comment by testanchor542 — 15 October 2005 @ 21:48