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30 September 2005

Jalapão - Cap 4: Trabalho escravo

Capítulo anterior: Perdidos
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Dois quilômetros antes de chegarmos ao carro, a Aline viu algumas pedras. Disse que poderíamos usá-las para tirar o carro do atoleiro. Claro que só tentaríamos isso no dia seguinte. Já passava das oito da noite e estava chovendo.

Chegamos ao carro, mais inclinado ainda.

Nos secamos como pudemos, fizemos uma comida rápida e nos preparamos para dormir. A barraca estava toda suja e embolada no porta-malas e o solo alagado e irregular. A opção foi dormir no carro. Os bancos do Sportage deitam até ficar no nível do banco traseiro. Não é o mesmo que dormir na barraca, mas é longe de ser ruim.

O problema era o calor. Por causa dos mosquitos e da chuva, não dava para dormir com as janelas abertas. Ligávamos o carro e o ar-condicionado por uns dez minutos. O carro ficava fresquinho por uns quarenta minutos. Logo depois, começamos a suar. Acordávamos e ligávamos o ar-condicionado novamente.

Assim foi até pouco depois das cinco horas. O sol ameaçava nascer e resolvi ir ver as tais pedras.

A água já havia baixado bastante. Deixei a Aline dormindo no carro e parti pela estrada. Vinte minutos de caminhada. As rochas eram grandes, com umas das superfícies meio regular. Provavelmente foi alguma tentativa de pavimentação de algum trecho da estrada. O problema era carregá-las; deviam pesar uns quinze ou vinte quilos cada.

Peguei a primeira e comecei a minha provação. Voltei, com a pedra nos ombros, cantando a música da Escrava Isaura. O tempo de volta foi bem maior. Depois da metade do caminho, topei com a Aline, que vinha ao meu encontro armada… com a chave do carro!

Ela disse que acordou, se viu sozinha e achou que algo pudesse ter acontecido comigo. Ainda meio dormindo, pegou o nosso mortífero chaveiro e saiu para me procurar. Só depois que percebeu o absurdo da situação. Chegamos ao local do carro e ela ficou preparando o desjejum enquanto eu buscava a segunda pedra.

Esse trabalho desumano continuou até às onze horas, quando cheguei com a quinta pedra – uma para cada roda e uma para o macaco. Com as pernas moles, a camiseta rasgada e enlameada e os ombros esfolados, comecei a cavar.


Colocando as pedras debaixo dos pneus, já com a água bem baixa

E funcionou! Ao meio-dia, conseguimos colocar o carro sobre quatro pedras. Rastejei por baixo dele, tirei os galhos e o excesso de barro. Vinte e nove horas depois, o Sportage voltou a rodar. Saímos bem devagar, mas já não havia risco, a água estava bem baixa e a estrada mais firme.

Resolvemos abandonar a nossa infuca pelo Jalapão. Outra peripécia como essa poderia estragar a nossa viagem… Nove quilômetros depois, passamos pela fazenda. Cheia de gente.

Nossa viagem continuou, com outros acontecimentos “engraçados”, mas isso fica para as próximas histórias.

F I M

29 September 2005

Jalapão - Cap 3: Perdidos

Capítulo anterior: A Cachoeira da Velha
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Os posts anteriores serviram apenas como introdução e para ambientá-los para a parte legal da história:

Acordamos pouco depois das seis e olhei para fora. Não chovia, mas o local estava todo alagado. Tomamos o café ainda dentro da barraca.

Desmontamos o acampamento, mas não dobramos a barraca. Jogamos tudo no porta-malas, bagunçado mesmo. A idéia era chegar a algum lugar mais aprazível e poder limpar as coisas decentemente.

Um problema: a trilha por onde havíamos descido tinha virado um tobogã. Subimos bem devagar, em ziguezague, com o carro patinando o tempo todo.

Chegamos novamente à estrada. Estava toda alagada. Fomos seguindo pela lateral esquerda, um pouco mais alta e com menos água. Passamos sobre um galho, sem problema algum.

Algumas dezenas de metros à frente, outro galho. A Aline até disse para desviarmos. Achei que não haveria problema, pois já havíamos passado por outro. Além disso, não queria entrar na parte mais funda da água. Resultado? O galho enganchou debaixo do carro, o pneu patinou e afundou de uma vez. Mesmo com 4x4 e reduzida, o assoalho do carro acabou tocando o solo. Atolados pela segunda vez, numa situação bem mais difícil que a anterior.

O que fazer? O de sempre: levantar o carro, cavar, colocar algo firme debaixo das rodas e sair devagar.
Aí começaram os problemas de verdade. Não conseguimos levantar o carro; o macaco afundava no solo de areia, mesmo com galhos por baixo. Tínhamos que cavar na areia, debaixo d’água. O buraco nunca ficava fundo o suficiente para enfiarmos uma madeira debaixo dos pneus. Além disso, o lado direito, na parte mais funda de estrada, começou a ceder e o carro ficou inclinado. Que beleza!

Ficamos cavando feito uns tatus até perto da hora do almoço, sem resultado algum. Aliás, com resultado sim: acho que o carro afundou ainda mais.

Almoçamos e começou a bater o desespero. Lembramos da fazenda que havíamos passado no dia anterior. Não sabíamos a distância, mas não era tão longe. Decidimos ir até lá e pedir ajuda.

Peguei a pistola, o cantil e alguma coisa para comer e partimos. Andamos, andamos, andamos. Choveu, fez sol, voltou a chover. Paramos para descansar e andamos mais. Achei que já tínhamos até passado da fazenda. Depois de quase três horas andando, chegamos. Tudo deserto, sem uma única alma! Será que foi uma alucinação? No dia anterior, tinha gente saindo pelo ladrão ali.

“Ô de casa! Tem alguém aí?”

Só quem apareceu foram os cachorros, uns cinco ou seis. Vieram correndo lá de longe, com cara de poucos amigos. Passaram a porteira e continuaram correndo na nossa direção. Saquei a arma e dei dois tiros para o alto. Serviria para espantar os cachorros e acordar quem quer que estivesse na casa. Funcionou para o primeiro motivo, mas nada de aparecer alguém.

Demos a volta pelo fundo, para evitar os caninos mal-encarados e chegamos a uma casa próxima à piscina. Batemos na porta. Ninguém. Uma das janelas estava aberta. Entrei para procurar um telefone. Claro que não tinha e, se tivesse, não saberia para quem ligar naquele fim de mundo. Descansamos um pouco.

Tomei “emprestado” uma caixinha de leite condensado e, já no início da noite, nos pusemos a voltar, tristes e desiludidos, discutindo nossas alternativas. Se não conseguíssemos tirar o carro no dia seguinte (e não conseguiríamos), iríamos montar as mochilas e voltar a pé para Ponte Alta do Tocantins. Em cinco dias de caminhada, estaríamos lá e pediríamos ajuda para salvar o carro.
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Continua em: Trabalho escravo

28 September 2005

Jalapão - Cap 2: A Cachoeira da Velha

Capítulo anterior: Ponte Alta do Tocantins
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Depois de uns poucos quilômetros, começou a chuva. As estradas, que esperávamos ser de areia, eram uma lama só. A vegetação bem verde, nada parecido com a idéia que temos de um deserto. Dirigir um carro 4x4 a mais de 80 km/h numa estrada de terra, com a lama voando sobre o pára-brisa, é muito legal. Recomendo.

Estrada com chuva, no Jalapão

A reportagem que tínhamos dizia que, na bifurcação, devíamos seguir para a esquerda. Como não havia nenhuma indicação de quilometragem no texto, acreditamos que devia ser uma coisa bem nítida. Mas começamos a passar por diversas pequenas bifurcações, sem saber se uma delas era a correta.

A chuva já havia terminado e a estrada de terra estava se tornando areia.

Resolvemos escolher uma bifurcação ao acaso. Não era a certa; em menos de dois quilômetros, a estrada se fechou. Ao tentar fazer a manobra para retornar, atolei pela primeira vez. Nada de mais: uma roda caiu na valeta e começou a patinar. Levantamos o carro com o macaco, colocamos alguns galhos debaixo da roda atolada e, com quarenta minutos de trabalho, estávamos livres.

Atolados pela primeira vez

Voltamos para a estrada principal e, depois de algumas dezenas de quilômetros, chegamos à bifurcação correta. Realmente era uma coisa bastante nítida, sem chance de ser confundida com as outras…

Nosso próximo ponto de referência era a Cachoeira da VelhaGoogle Earth. Era o local onde pretendíamos passar a noite. Passamos por uma fazenda cheia de gente e picapes (o negócio não é tão deserto assim!) e pouco depois chegamos ao rio.

Paramos para dar uma olhada. Uma trilha descia até a margem, ao lado da cachoeira. Fui até lá a pé para ver se dava para descer de carro. Dava sem problema. Descemos e, pouco depois das duas da tarde, iniciamos a montagem do nosso acampamento.

Cachoeira da Velha

Montar barraca, almoçar, banho no rio, fotos. No final da tarde o tempo começou a fechar novamente.

Nosso acampamento, ao lado da cachoeira

Jantamos já dentro da barraca, com chuva. E choveu torrencialmente durante toda a noite. Novamente pude comprovar a qualidade da minha barraca. Dormimos sobre um colchão d’água e nem uma única gota passou para dentro.
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Continua em Perdidos

27 September 2005

Cinco mil visitas!

Filed under: Diversos

Completadas hoje, às dezesseis horas, quarenta minutos e doze segundos. Alguém de São Paulo.

26 September 2005

Jalapão - Cap 1: Ponte Alta do Tocantins

Capítulo anterior: Introdução
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Dormimos num hotelzinho feio, em Uruaçú/GO. Mas serviu para assistir ao Timão sendo campeão do Brasileirão, num empate de 0 a 0 contra o Atlético Mineiro.

Passamos o dia seguinte todo dirigindo. Seguimos para o norte, pela Belém-Brasília. A estrada estava horrível e com mais caminhões do que eu desejaria encontrar. Em Fátima, já no Tocantins, seguimos para leste. Cruzamos Porto Nacional e, pouco depois do almoço, chegamos a Monte do CarmoGoogle Earth. A partir dali, havia dois caminhos para serem seguidos até Ponte Alta do TocantinsGoogle Earth, a porta de entrada para o deserto do Jalapão. Um de noventa quilômetros e com a estrada em melhores condições e outro, com a estrada de terra, porém vinte quilômetros mais curto.

Como haviam nos dito que a estrada estava boa, seguimos pelo caminho mais curto, que atravessava uma pequena serra. A estrada estava realmente boa, mas esse não era o problema. Ponte Alta do Tocantins fica de um lado do rio e a estrada do Jalapão fica do outro. E a ponte estava caída.

A estrada mais curta terminava do lado da cidade. A mais longa, no Jalapão. Do lado do Jalapão não havia estrutura nenhuma. Restaurantes, hotéis, postos de gasolina, nada disso. Apenas algumas casas e uma infinidade de areia. No final das contas, vimos que a nossa decisão foi a mais acertada (não por mérito nosso, mas por puro acaso): estávamos do lado civilizado, com um mínimo de infraestrutura. Daria para jantar, passar a noite, abastecer e partir. A desvantagem é que, na manhã seguinte, teríamos que voltar até Monte do Carmo, pegar a estrada maior e, com duas horas e cento e sessenta quilômetros de diesel a menos, iniciar a nossa viagem.

O hotel era para lá de simples, mas com um pessoal muito simpático. Jantamos no hotel mesmo e demos uma volta pela cidade. Dormimos e acordamos cedo.

Hotel em Ponte Alta do Tocantins

Abastecemos e iniciamos o nosso retorno. Em Monte do Carmo, seguimos pela estrada maior. Por volta das dez horas, cruzamos novamente Ponte Alta do Tocantins (agora pelo outro lado da ponte) e entramos no Jalapão.

Let’s rock!
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Continua em: A Cachoeira da Velha

25 September 2005

Jalapão - Introdução

Vou contar, a partir de hoje, uma história com alguns pontos diferentes das outras que já contei no meu blog. Primeiro, é a primeira viagem que vou contar que fiz com minha esposa. Segundo, fiz a viagem de carro. Terceiro, mostra tudo o que não se deve fazer numa viagem de carro fora de estrada.

Essa viagem aconteceu nas férias de 1999 para 2000, os dias exatos eu não me lembro. Visitamos os pais da Aline no Mato Grosso. Dali fomos para Tocantins, depois para Goiás, Minas Gerais e terminamos em São Paulo. O trecho que vou contar aqui ocorreu em Tocantins, mais precisamente no deserto do Jalapão. Hoje, o Jalapão é um destino conhecido por qualquer um que se interessa por turismo de aventura. Porém, há seis anos, ninguém sabia que esse lugar existia. No ano anterior, o Rali dos Sertões havia passado por lá e li algumas revistas a respeito.

Ele tem alguns lugares interessantes para serem visitados, mas a nossa idéia principal era atravessar os setecentos quilômetros de estrada de areia. Atravessar não é o verbo correto; a estrada faz um grande “U” e termina a cem quilômetros de onde se inicia a viagem. Para tamanha proeza, estávamos embarcados num valente Sportage DLX 1995 a diesel, com tração nas quatro rodas e marcha reduzida. Tínhamos pneus Michelin X/S novinhos e o carro todo revisado. Alguns galões de combustível extra, material de acampamento, comida e água para mais de dez dias. Coragem, força e fé. Mas não foi suficiente…
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Continua em: Ponte Alta do Tocantins

24 September 2005

Nova história

Filed under: Diversos

A partir de amanhã, vou publicar a aventura (aventura mesmo!) da nossa viagem pelo deserto do Jalapão.

Aproveito para divulgar o site Geobusca. A maioria dos pontos do Google Earth que irão aparecer durante a história foram tirados desse site.

21 September 2005

Aniversário

Filed under: Diversos, Blogs

Hoje é aniversário de uma amiga minha. Pelo menos ainda a considero como amiga, mesmo sem vê-la a dezessete anos.

Dêem os parabéns e aproveitem para ler o que ela escreve. Vale a pena:

Casa dos espelhos - Blog literário

Icyland - Blog de coisas não literárias

19 September 2005

Saber competitivo

Filed under: Ciências

Editorial da Folha de São Paulo de ontem, sobre a qualidade das universidades:

Saber competitivo

17 September 2005

Santo André no Google Earth

Filed under: Diversos

Parece que o satélite criou vergonha e começou a tirar fotos decentes de Santo André. Não está com a melhor das resoluções, mas já dá para ver os lugares sem problemas.

Apesar de um não morar lá desde 1991, estou levantando uma série de pontos da cidade, a maioria deles com nomes que apenas quem mora na cidade vai reconhecer. Uma boa parte deles foi extraída do tópico “Mania de Andreense” no orkut.

Tópico de Santo André no bbs.keyhole.com

Arquivo .kmz de Santo AndréGoogle Earth (também disponível no tópico acima)

Aceito sugestões sobre mais pontos em Santo André enquanto o satélite não tira uma foto decente de Taubaté.

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