Operação Conjuntex - 4: Ad Sumus!
Capítulo anterior: Ínsua
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Pouco antes das cinco, o Piraim iniciou seu deslocamento. Na proa do navio, eu observava a ilha. Aparentemente, não havia nada de diferente. Mas, com o óculos de visão noturna, víamos as luzes estroboscópicas infravermelhas na praia
. Essas luzes serviam apenas para o balizamento inicial; o desembarque propriamente dito seria já no nascer do sol.
Às cinco e trinta, os fuzileiros embarcaram e partiram.
A conquista da cabeça de praia tinha tudo para ser simples: apenas uma lancha de desembarque, um pelotão de fuzileiros. O efetivo do inimigo devia ser menor que dez homens, apenas com armamento leve.
O Pelopes todo estava reunido no convés, tentando ver algo na praia. O sol já estava nascendo, mas estávamos muito distantes para conseguir distinguir alguma coisa. Pouco depois das seis, começamos a ver os tiros traçantes dos fuzis e metralhadoras. O tempo decorrido para ouvirmos os sons foi estranhamente longo.
O som viaja mil metros a cada três segundos; a que distância estamos de lá? O chiado do rádio vindo da ponte me acordou dessa divagação. Não consegui ouvir o que o comandante do pelotão de fuzileiros dizia. Pensei em ir até o rádio para ouvir melhor, mas preferi ficar ali fora, assistindo.
O tiros cessaram depois de poucos minutos. Com o binóculo, vi que a lancha de desembarque já estava na metade do caminho de volta. Parece que tudo havia dado certo. Agora, era só aguardar a mensagem dos fuzileiros, dizendo que a cabeça-de-praia estava segura.
Ao contrário do que o nome possa sugerir, a conquista da cabeça-de-praia inclui bem mais que a faixa litorânea. Ele tem, basicamente, três faixas. A primeira, de dois mil metros, visa proteger a praia contra armas de tiro direto, como canhões e metralhadoras. A segunda tem seis mil metros, com a finalidade de impedir a observação sobre a praia (observadores de artilharia, controladores aéreos avançados, unidades de reconhecimento). A extensão destas duas primeiras faixas pode diminuir, dependendo do relevo da região. A última visa proteger a praia contra a artilharia inimiga e pode ser estender por mais de quarenta quilômetros. Por motivos óbvios, a nossa cabeça-de-praia teria apenas a primeira faixa.
Quando a lancha atracou novamente no Piraim, o Pelopes já estava pronto para embarcar. Ficamos aguardando a mensagem dos fuzileiros navais.
A mensagem chegou por volta das nove e meia. Descemos para a lancha por uma rede de cordas e seguimos para a ilha. A experiência foi bem mais tranqüila do que eu esperava. Sempre vi nos livros e filmes desembarques em praias de mar, com ondas e todos vomitando. Lá isso não ocorreu. Balançava um pouco, mas bem menos do que as voadeiras que estávamos acostumados.
Em quinze minutos, a lancha tocou a praia e a rampa foi aberta. Logo vi, uns cinqüenta metros à frente, um fuzileiro com uma placa verde. Era o nosso guia. Desembarcamos rapidamente e o seguimos. Ele nos levou até um pequeno bosque, a quinhentos metros do ponto de desembarque.
Deixei o pelotão a comando do sargento adjunto fui ter com o comandante dos fuzileiros. Ele me passou algumas informações que havia obtido com dois prisioneiros. Disse que havia uma patrulha de dois homens que vinha de Porto Índio até aquela praia. Essa dupla vinha pela trilha, mas não tinha um horário definido. Disse também que havia um posto de sentinela na pista de pouso. O posto não era fixo, mas normalmente ele ficava no final da trilha que liga a pista a Porto Índio.
Após o almoço, montamos um caixão de areia com informações mais detalhadas sobre as instalações do destacamento. Fizemos alguns ajustes no planejamento e os sargentos reuniram seus grupos para detalhar novamente a missão de cada um.

O 3º Grupo de Combate, durante a sua ordem
Preparamos nossas rações e jantamos antes das cinco da tarde.
Camuflamos os rostos, pegamos nossas mochilas. Cada cabo inspecionou seus três ou quatro subordinados. Os sargentos fizeram o mesmo com seus grupos de nove homens. O tenente dos fuzileiros navais apareceu para se despedir:
- Boa caçada! Ad sumus!
Às dezoito horas, partimos pela trilha que conduzia a Porto Índio. Era nossa vez de fazer a guerra.
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Continua em: A tomada de Porto Índio

Obrigada pela visita. Você é militar?? Hummmmmm.
bjs
Comment by Raquel — 6 September 2005 @ 14:04