Operação Conjuntex - 5: A tomada de Porto Índio
Capítulo anterior: Ad sumus!
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Nos primeiros mil metros, ultrapassamos a última linha dos fuzileiros. Nos afastamos da trilha, acompanhando-a a aproximadamente cinqüenta metros de distância. Estávamos a sete quilômetros de Porto Índio. A mata não era densa e a progressão não estava difícil.
Uma dupla de esclarecedores cinqüenta metros à frente. Os três grupos de combate vinham em seguida, mantendo também cinqüenta metros entre eles. Eu e o atirador da metralhadora íamos junto com o primeiro grupo. O sniper estava junto com o segundo grupo, mas não tínhamos a luneta de visão noturna. Assim, à noite, ele ia como um combatente comum, com a desvantagem de usar a quente e desconfortável “roupa da Emília”. O nome correto desse uniforme, cheio de tiras de tecido que auxiliam a camuflagem, é ghillie, porém os soldados usavam o apelido lobatiano, bem mais simpático. O último grupo mantinha um ou dois homens alguns metros à retaguarda, procurando alguém que nos seguisse. Meu adjunto vinha junto com esse último grupo.
A hora prevista para a nossa missão era seis da manhã. Chegar perto do objetivo faltando muito tempo não seria a melhor decisão. Paramos pouco depois da metade do caminho e entramos pelo menos mais duzentos metros na mata. Com metade do efetivo acordada, aguardamos até quase cinco horas. Quatro homens (dois acordados por vez) permaneceram próximos à trilha. Nossa preocupação era a patrulha que o prisioneiro havia dito que passava por lá.
Continuamos acompanhando a trilha, mas nunca andando por ela, até chegar à pista de pouso. Era uma pista de terra batida, com quase dois mil metros de comprimento e cinqüenta metros de largura. Paramos poucos metros antes. Os esclarecedores nos chamaram. Fui até eles, na orla da mata, junto com o comandante do primeiro grupo. Dava para distinguir, do outro lado da pista, onde ela se unia a trilha, um movimento que só poderia ser causado por um ser humano. Observando por mais alguns segundos, dava para distinguir o silhueta do sentinela.
O comandante do 1º grupo mandou dois homens até lá. Eles cruzaram a pista a quatrocentos metros dali e avançaram por dentro da mata, já do outro lado.
Os grupos se posicionaram para avançar, caso algo desse errado. Não tínhamos armas com supressor de ruído. Se os dois que atravessaram a pista não conseguissem eliminar o sentinela em silêncio, teríamos que avançar rapidamente a partir dali, a mais de trezentos metros de Porto Índio. Não teríamos mais a vantagem da surpresa.
Deitado no solo, ao lado da pista, observava o sentinela e tentava, em vão, ver onde os nossos estavam. O tempo passou e achei que tivesse acontecido alguma coisa com eles. Chamei o sniper e perguntei se ele teria condições de atirar dali. Não era longe, por volta de setenta metros, mas estava muito escuro ainda.
O segundo grupo, que avançaria pela outra extremidade da pista, cerrou para a sua posição.
Depois de alguns minutos, que pareceram uma eternidade, ouvi alguns ruídos abafados do outro lado da pista. Tentei distinguir o que estava acontecendo, mas não consegui. Alguns segundos depois, duas piscadas com uma lanterna verde foram o nosso alívio. Dei o sinal para os grupos avançarem. Estávamos cinco minutos atrasados.
Nosso ataque estava montado da seguinte maneira: o primeiro grupo, que estava avançando na frente, seguiria para a escola (que era o maior prédio do local) e para o cais, na margem do rio.
O segundo grupo, que cruzou a pista na outra extremidade, avançaria pela mata rala e chegaria ao destacamento pelo outro lado, tendo acesso à caixa d’água, posto de comando (onde fica o rádio e de onde poderiam ser pedidos reforços) e à reserva de armamento.
O terceiro grupo, vindo atrás do primeiro, dominaria o sala do gerador e faria uma varredura em cada uma das dez ou doze casas do destacamento.
O sniper seguiria junto com o segundo grupo e subiria da caixa d’água, sendo os meus olhos em toda a região. O atirador da metralhadora montaria a sua MAG próxima ao cais, impedindo que algum inimigo chegasse pela água. Eu e meu rádio-operador ficaríamos no prédio da escola, coordenando as ações. O planejamento era simples, só exigia um pouco de coordenação entre os segundo e terceiro grupos para que não trocassem tiros entre si no início da ação.
Porém isso não ocorreu, mas não por mérito nosso: o segundo grupo se atrasou durante a sua progressão dentro da mata e chegou atrasado, depois do início do ataque pelos dois outros grupos. Não houve a troca de tiros entre os grupos, mas um dos inimigos correu para o posto de comando. Não sei se ele conseguiu falar no rádio. Duas granadas lançadas por fuzil, uma na parede e outra no telhado, destruiram o posto de comando.
Ao término da ação, estávamos com três feridos e nenhum morto. O inimigo estava com sete mortos e um prisioneiro levemente ferido.
Rapidamente iniciamos a nossa consolidação do objetivo: trazer os feridos para a escola, onde seriam atendidos, redistribuir a munição, escolher o melhor setor de tiro para a metralhadora, montar as antenas dipolo para o rádio HF, posicionar os grupos, ligá-los com fios telefônicos e cavar tocas e trincheiras nos locais onde a defesa era mais difícil.
Assim que a antena ficou pronta, mandei a mensagem para o Piraim.
Missão cumprida.

Você deve saber que os militares não estão muito em alta, né? Mas os advogados,
políticos,professores, padres, médicos e analistas de sistemas também não estão. Mas a
verdade é que eu digo aqui em Sampa que eu não sei se eu tenho mais medo da polícia
ou dos bandidos. E por polícia entenda todos os fardados. Por outro lado, é inegável
que fardas são charmosas. Seja como for, enquanto amizade blogueira totalmente virtual,
não tenho nada contra militares. Mas que eles não cruzem o meu caminho com cara de
que tudo podem e fuzil em punho que eu tenho um treco!
bjs, Marcus.
Comment by Raquel — 7 September 2005 @ 15:05
Ainda sobre a Operação Conjuntex
Para que eu não seja mal interpretado, a Operação Conjuntex foi um exercício. Os mortos e feridos do exercício foram determinados pela arbitragem, ninguém estava matando ninguém no meio do Pantanal.
Os fuzileiros navais eram da unidade da Mari…
Trackback by e-Lidiofin — 13 December 2005 @ 21:45
sim
Comment by vilmar costa ribeiro — 19 December 2005 @ 20:02