Jalapão - Cap 3: Perdidos
Capítulo anterior: A Cachoeira da Velha
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Os posts anteriores serviram apenas como introdução e para ambientá-los para a parte legal da história:
Acordamos pouco depois das seis e olhei para fora. Não chovia, mas o local estava todo alagado. Tomamos o café ainda dentro da barraca.
Desmontamos o acampamento, mas não dobramos a barraca. Jogamos tudo no porta-malas, bagunçado mesmo. A idéia era chegar a algum lugar mais aprazível e poder limpar as coisas decentemente.
Um problema: a trilha por onde havíamos descido tinha virado um tobogã. Subimos bem devagar, em ziguezague, com o carro patinando o tempo todo.
Chegamos novamente à estrada. Estava toda alagada. Fomos seguindo pela lateral esquerda, um pouco mais alta e com menos água. Passamos sobre um galho, sem problema algum.
Algumas dezenas de metros à frente, outro galho. A Aline até disse para desviarmos. Achei que não haveria problema, pois já havíamos passado por outro. Além disso, não queria entrar na parte mais funda da água. Resultado? O galho enganchou debaixo do carro, o pneu patinou e afundou de uma vez. Mesmo com 4x4 e reduzida, o assoalho do carro acabou tocando o solo. Atolados pela segunda vez, numa situação bem mais difícil que a anterior.
O que fazer? O de sempre: levantar o carro, cavar, colocar algo firme debaixo das rodas e sair devagar.
Aí começaram os problemas de verdade. Não conseguimos levantar o carro; o macaco afundava no solo de areia, mesmo com galhos por baixo. Tínhamos que cavar na areia, debaixo d’água. O buraco nunca ficava fundo o suficiente para enfiarmos uma madeira debaixo dos pneus. Além disso, o lado direito, na parte mais funda de estrada, começou a ceder e o carro ficou inclinado. Que beleza!
Ficamos cavando feito uns tatus até perto da hora do almoço, sem resultado algum. Aliás, com resultado sim: acho que o carro afundou ainda mais.
Almoçamos e começou a bater o desespero. Lembramos da fazenda que havíamos passado no dia anterior. Não sabíamos a distância, mas não era tão longe. Decidimos ir até lá e pedir ajuda.
Peguei a pistola, o cantil e alguma coisa para comer e partimos. Andamos, andamos, andamos. Choveu, fez sol, voltou a chover. Paramos para descansar e andamos mais. Achei que já tínhamos até passado da fazenda. Depois de quase três horas andando, chegamos. Tudo deserto, sem uma única alma! Será que foi uma alucinação? No dia anterior, tinha gente saindo pelo ladrão ali.
“Ô de casa! Tem alguém aí?”
Só quem apareceu foram os cachorros, uns cinco ou seis. Vieram correndo lá de longe, com cara de poucos amigos. Passaram a porteira e continuaram correndo na nossa direção. Saquei a arma e dei dois tiros para o alto. Serviria para espantar os cachorros e acordar quem quer que estivesse na casa. Funcionou para o primeiro motivo, mas nada de aparecer alguém.
Demos a volta pelo fundo, para evitar os caninos mal-encarados e chegamos a uma casa próxima à piscina. Batemos na porta. Ninguém. Uma das janelas estava aberta. Entrei para procurar um telefone. Claro que não tinha e, se tivesse, não saberia para quem ligar naquele fim de mundo. Descansamos um pouco.
Tomei “emprestado” uma caixinha de leite condensado e, já no início da noite, nos pusemos a voltar, tristes e desiludidos, discutindo nossas alternativas. Se não conseguíssemos tirar o carro no dia seguinte (e não conseguiríamos), iríamos montar as mochilas e voltar a pé para Ponte Alta do Tocantins. Em cinco dias de caminhada, estaríamos lá e pediríamos ajuda para salvar o carro.
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Continua em: Trabalho escravo
