Jalapão - Cap 4: Trabalho escravo
Capítulo anterior: Perdidos
———-
Dois quilômetros antes de chegarmos ao carro, a Aline viu algumas pedras. Disse que poderíamos usá-las para tirar o carro do atoleiro. Claro que só tentaríamos isso no dia seguinte. Já passava das oito da noite e estava chovendo.
Chegamos ao carro, mais inclinado ainda.
Nos secamos como pudemos, fizemos uma comida rápida e nos preparamos para dormir. A barraca estava toda suja e embolada no porta-malas e o solo alagado e irregular. A opção foi dormir no carro. Os bancos do Sportage deitam até ficar no nível do banco traseiro. Não é o mesmo que dormir na barraca, mas é longe de ser ruim.
O problema era o calor. Por causa dos mosquitos e da chuva, não dava para dormir com as janelas abertas. Ligávamos o carro e o ar-condicionado por uns dez minutos. O carro ficava fresquinho por uns quarenta minutos. Logo depois, começamos a suar. Acordávamos e ligávamos o ar-condicionado novamente.
Assim foi até pouco depois das cinco horas. O sol ameaçava nascer e resolvi ir ver as tais pedras.
A água já havia baixado bastante. Deixei a Aline dormindo no carro e parti pela estrada. Vinte minutos de caminhada. As rochas eram grandes, com umas das superfícies meio regular. Provavelmente foi alguma tentativa de pavimentação de algum trecho da estrada. O problema era carregá-las; deviam pesar uns quinze ou vinte quilos cada.
Peguei a primeira e comecei a minha provação. Voltei, com a pedra nos ombros, cantando a música da Escrava Isaura. O tempo de volta foi bem maior. Depois da metade do caminho, topei com a Aline, que vinha ao meu encontro armada… com a chave do carro!
Ela disse que acordou, se viu sozinha e achou que algo pudesse ter acontecido comigo. Ainda meio dormindo, pegou o nosso mortífero chaveiro e saiu para me procurar. Só depois que percebeu o absurdo da situação. Chegamos ao local do carro e ela ficou preparando o desjejum enquanto eu buscava a segunda pedra.
Esse trabalho desumano continuou até às onze horas, quando cheguei com a quinta pedra – uma para cada roda e uma para o macaco. Com as pernas moles, a camiseta rasgada e enlameada e os ombros esfolados, comecei a cavar.

Colocando as pedras debaixo dos pneus, já com a água bem baixa
E funcionou! Ao meio-dia, conseguimos colocar o carro sobre quatro pedras. Rastejei por baixo dele, tirei os galhos e o excesso de barro. Vinte e nove horas depois, o Sportage voltou a rodar. Saímos bem devagar, mas já não havia risco, a água estava bem baixa e a estrada mais firme.
Resolvemos abandonar a nossa infuca pelo Jalapão. Outra peripécia como essa poderia estragar a nossa viagem… Nove quilômetros depois, passamos pela fazenda. Cheia de gente.
Nossa viagem continuou, com outros acontecimentos “engraçados”, mas isso fica para as próximas histórias.
F I M

Gostamos daqui!
Vamos acompanhar um pouco dessa viagem pra ver onde vai dar.
Abraço
Comment by Soslaio — 4 October 2005 @ 1:26
Bela viagem, Marcus! Estou acompanhando também e obrigado pelo link.
Sds.
Comment by Iraldo — 4 October 2005 @ 4:48
Caramba, que viagem… Parece aqueles filmes de suspense, quando some e aparece gente nos lugares sempre nas piores horas. Fiquei curioso em saber o porquê de não ter ninguém na fazenda, na hora que o sr mais precisou… Abraço.
Comment by Wagner G Souza — 4 October 2005 @ 18:51
Pocha vida, um local que eu gostaria de visitar. Parabéns pela oportunidade!!! []´s!!!
Comment by Marcelo Bresciani — 5 October 2005 @ 12:09
Olá, conheci seu blog através da comunidade Blogautores, do Orkut. Acho que você tem um bom texto, mas precisa ler mais alguns clássicos. Cuidado com os adjetivos.
Se tiver MSN, me adicione: dbarretoivo@gmail.com.
Comment by Barretoivoski — 9 October 2005 @ 2:56
Oi. Você não deixou seu e-mail. Na verdade, meu msn é barretoivoski@hotmail.com. Eu gosto de ser sincero, caso a pessoa não goste, provavelmente me livrei de porcaria.
Barretoivoski@yahoo.com.br o meu e-mail!
abs
Comment by Barretoivoski — 9 October 2005 @ 21:02
Nossaaaaaaaaa……so uma curiosidade: os caras da fazenda desapareceram naquela hora apena por brincadeira….é isso????
Esperando curioso…
Evar (por enquanto da Italia)
Comment by Evaristo Finozzi — 16 June 2006 @ 2:23