Fotos, fotos e mais fotos
Acrescentei diversas fotos às histórias da Operação CONJUNTEX e do Jalapão
Corram lá para ver.
Acrescentei diversas fotos às histórias da Operação CONJUNTEX e do Jalapão
Corram lá para ver.
Outro dia vi no Orkut alguém falando sobre a Praia do Bonete, em Ilhabela. Quando estive lá, há onze anos, era um lugar praticamente desconhecido. Agora, dizem que já existe até uma embarcação que sai regularmente de São Sebastião e vai para o Bonete. Já tem pousada, campings, etc.
Da mesma maneira foi a praia da Almada e as outras mais ao norte de Ubatuba, já totalmente “civilizadas”, o trek de Prado a Porto Seguro ou o Jalapão. Eu tive a oportunidade de visitar todos esses lugares antes que virassem destinos “da moda” e perdessem grande parte do seu charme.
Isso me lembra um texto do Antônio Prata, que encontrei na internet há algum tempo. O título é “Bar ruim” e trata justamente desse assunto:
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Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura. “Ô Betão, traz mais uma pra gente”, eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit-gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit-gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse. O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem e percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil! Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit-gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
“Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?”
Era outubro de 1994.
Diferente da maioria dos exercícios de Defensiva, o daquele ano estava sendo realizado na região da Fazenda Boa Esperança
. Normalmente, os exercícios eram realizados numa região bem a leste de Resende, onde hoje se instalaram diversas indústrias. Essa região mais a leste tinha elevações bem mais suaves, em várias linhas paralelas, exatamente como está desenhado no manual. Talvez, por estarmos fazendo um exercício de menor envergadura, com apenas uma companhia, a região da Boa Esperança foi escolhida. Divagar sobre isso, porém, não é a idéia dessa pequena crônica.
Havia um pelotão no Sabóia e outro pelotão reforçado no Saboião. Todos que já passaram pela Academia sabem do que estou falando, mas para aqueles que não tiveram essa oportunidade, o Sabóia é o morro que fica imediatamente em frente à casa da Fazenda Boa Esperança. É alta e íngreme. O Saboião, um pouco mais a oeste, é mais alto e mais íngreme que o Sabóia, como o próprio nome sugere (ambas as elevações também podem ser vistas no Google Earth). Era lá que estava meu pelotão.
Cavar a nossa toca com uma pá e uma picareta, ambas com um cabo de menos de três palmos, cansa, causa bolhas nas mãos, mas não é nada do outro mundo. Depois de cavar, dormir sentado, junto com outro companheiro, dentro de um buraco de dois fuzis de comprimento por dois capacetes de largura é desconfortável, mas não é nada que não possa ser contornado. Depois de cavar, construir uma cobertura, camuflar, limpar os campos de tiro, fazer diversas melhorias (um lugar para a mochila, escoadouros para água, diversos buracos “porta-trecos”, etc), o exercício cai num marasmo típico das operações defensivas, enquanto aguardamos o inimigo aparecer.
Mas tudo isso era comum. O pior de tudo, pior que em todos os outros exercícios de Defensiva que participei, era buscar água. A cisterna ficava na sede da Fazenda, a uns dois quilômetros dali. O problema não era a distância e sim ter que descer e depois subir o Saboião novamente. Como iam dois de cada vez e o Pelotão tinha trinta e seis homens, cada um com dois cantis, eram trinta e seis quilos de água para cada um carregar.
No início, quando estávamos cavando, a cada três ou quatro horas alguém chegava com a água. Depois, quando o trabalho ficou mais leve, passamos a encher os cantis apenas após as refeições. Estávamos comendo rações operacionais, que são desidratadas e gastam uma boa quantidade de água para ser preparadas.
No terceiro dia do exercício, no final da manhã, enquanto eu preparava o meu almoço, o comandante do pelotão me disse que era minha vez de buscar a água. Eu lembro que ventava bastante e, para cozinhar, tínhamos que limpar o mato ao redor do fogareiro. Mesmo assim, às vezes uma pequena fagulha saltava e tentava causar um princípio de fogo. Enquanto comia, ficava me imaginando subindo aquela encosta com quase quarenta quilos na mochila.
Mal o comandante me deu a boa nova, começaram a voar cantis de todo lado. Terminei de comer rapidamente, esvaziei a minha mochila e passei a guardar os cantis.
Meu companheiro de toca pediu para deixar o fogareiro aceso, pois ele iria fazer o almoço dele.
“Venha rápido, senão ele apaga. E cuidado para não botar fogo em tudo!”
Ele chegou, guardei minha marmita, apanhei a mochila cheia de cantis vazios e comecei a descer, triste, a elevação. Não tinha andado nem dez metros, ouvi um “Eita!”. Olhei para trás e vi meu companheiro apagando o fogo ao redor do fogareiro. Sem problemas, aconteceu diversas vezes comigo. Continuei descendo e comecei a ouvir uma gritaria atrás de mim. Voltei-me novamente e…
O fogo já ocupava uma frente de uns dez metros. Ainda pensei, por alguns segundos, se eu precisava voltar, se o pessoal não conseguiria controlar o fogo enquanto eu pegava a água. Minha dúvida não durou muito:
“P…, Piffer! Não está vendo!? Vem ajudar a apagar essa m…!”
Voltei correndo. O fogo já alcançava as tocas mais próximas. O vento estava empurrando o fogo para a contra-encosta, então a primeira providência foi trazer as nossas coisas e, principalmente, as armas coletivas para frente.
Não tínhamos muito material para apagar fogo: blusas, pedaços de lona e, na maioria dos casos, galhos quase desfolhados.
A luta foi inglória. O fogo continuou avançando pela contra-encosta, cada vez mais rápido. Em menos de uma hora, estava chegando às posições do pelotão reserva, a quatrocentos metros dali. Eram quase cinco da tarde quando ele se apagou por vontade própria. Queimou uma área de uns trezentos por seiscentos metros. Por sorte, ninguém se machucou. De prejuízos, tivemos alguns quilômetros de fios telefônicos destruídos (pelo menos metade das tocas tinha um telefone de campanha instalado).
No final da contas, saí no lucro. Fui buscar água numa situação bem mais tranqüila, sem o sol escaldante do meio-dia, e tive a toca só para mim à noite. Meu companheiro, tido como responsável pelo ocorrido, passou a noite toda ajudando a lançar novamente os fios.

Meu pelotão, com a área queimada ao fundo. Estou no centro, encapuzado e segurando uma pá. No primeiro plano, um colega mostra a marmita queimada, que deu início ao fogo. O causador de tudo não parece na foto.
O texto original tem mais dois pequenos capítulos, mas que são meio off-topic. Um sobre baratas e outro sobre um besouro. Talvez eu os publique aqui um dia.
Por ora, aqui termina a história do KTR.

O KTR. Pendurados na placa, o Gabiru e o rato que eu matei
Tenho algumas outras coisinhas para publicar, mas tive uns probleminhas aqui em casa e estou com a internet romântica (leia-se discada). Vou esperar reestabelecer a banda larga para ter um pouco mais de facilidade para trabalhar.
Capítulo anterior: Meu primeiro rato
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E assim seguiu-se até o final de março, quando totalizamos vinte e um ratos, uma média de 1,75 por semana.
Uma das mortes foi muito estranha: não foi por veneno, nem ratoeira nem a tiro. O rato estava sem a duas patas dianteiras e com a pele arrancada e dobrada para trás, deixando o esqueleto e os órgãos internos a mostra. Não havia sinal de sangue, nem das duas patas dianteiras. Até hoje não conseguimos descobrir o que o matou. Achamos o corpo dobrado num ângulo esquisito, atrás de um vaso e debaixo de uma pedra. A hipótese mais discutida é que ele tenha sido atacado pelo Predador.
O caso acima foi o décimo-quarto rato. Não menos bizarro foi o décimo-nono. O rato (não temos certeza de que era um rato) morreu dentro da parede, atrás do rodapé. Sabemos que ele está lá, pois o corpo exala o característico e fétido odor da morte.
Aí fica o enigma: o rato (ou o que estiver lá) morreu atrás do rodapé ou a casa foi construída ao seu redor?
Capítulo anterior: O KTR
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Nesse mesmo dia, antes porém da formação oficial do nosso grupo, eu já estava na casa do Ricardo. Tinha ido lá para ver o corpo do Gabiru.
Do nada, outro rato emerge das trevas. A Kelly, a cadela do Ricardo, foi a primeira a vê-lo. Consegue pegá-lo e e começa a chacoalha-lho entre os dentes. O rato guinchava desesperado. Consegue escapar da Kelly, mas…
… Sai voando e choca-se contra a parede. O Ricardo havia lhe dado um chute. Chego com a espingarda de chumbinho e dou-lhe um tiro de misericórdia a menos de um palmo de distância. O projétil penetrou o olho do rato, transformando-o numa massa informe e sanguinolenta. E o maldito ainda vivia!
Outro tiro, atrás da cabeça, pôs um fim ao seu sofrimento e espirrou sangue em todas as direções.
Dois a zero para o KTR.
Nesse mesmo dia, ainda pegamos outro rato, na ratoeira da minha avó. Três a zero.
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Continua em Os outros ratos
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